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quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Poesia Brasileira Noventista

Olá, meninos e meninas das internets! Bem-vindos mais uma vez ao Inominativo! O blogue mais bacana que eu já produzi! :D
Hoje começa o mês de Novembro, o mês mais legal dentre todos os meses do ano. Então feliz mês de Novembro para vocês, muitos dinheiros e farras e festas. E feriados, também - tem tantos feriados que fica até difícil marcar compromisso com amigos. Todo mundo viaja, uma alegria. :D

Falar em burgueses modernos, o meu post de hoje fala um pouco (bastante) sobre um tema super popular. Você já parou pra pensar em como temos grandes poetas vivos hoje em dia, no Brasil? Em como a nossa produção literária é riquíssima, organizada e prolífera? Não? Então você precisa expandir seus horizontes. Tentem ler esse (longo) texto até o fim, e acompanhem meu raciocínio.

POESIA BRASILEIRA NOVENTISTA

Você, caro leitor desse blogue decrépito, deve se lembrar provavelmente de um bocado das suas aulas de Literatura, em seu Ensino Fundamental e Médio - ou, se você for suficientemente antiquado, de seu Ginásio e Segundo Grau. Sua professora de Literatura, tadinha, tentava enfiar um pouco de erudição na sua cabeça oca, falando pra você sobre como é linda a herança cultural da Língua Portuguesa! E ela contava sobre os poemas trovadorescos, de uma época tão antiga que o Português daquela época era inelegível para nós hoje em dia! Oh, aqueles trovadores dos séculos 12 e 13 que inventaram o nosso dileto Idioma, propagaram-no pelos quatro cantos do próspero Reino Português e, graças ao bacalhau, ensinaram o mundo inteiro a falar nossa pitoresca língua... Oras, tendo nascido como um dialeto inculto e vulgar do glorioso Latim, ser um dos idiomas mais falados durante o século 16 é uma tremenda conquista! Viva o Idioma Português! A última flor do Lácio, inculta e bela!
Enfim - sua professora de Literatura deve ter se demorado bastante tempo para explicar detalhes dos grandes movimentos da prosa e da poesia lusófona. A Renascença em Portugal, graças a Luís de Camões. O Romantismo do Brasil recém-independente, com aqueles livros longuíssimos e chatos. Aqueles poemas realistas, naturalistas, parnasianistas, simbolistas. Ou ainda a época da Semana de Arte Moderna de São Paulo, em que tudo virou baderna e qualquer loucura valia, desde que fosse bacana. Sua professora queria evocar em você, nobre leitor, um pouco de raciocínio crítico. Um pouco de capacidade de ler através das mensagens deixadas por séculos de autores e poesias. Que você entendesse a beleza de um texto machadiano, a graça de uma obra alencariana, o humor negro de uma prosa azevediana (diga-se de passagem, um dos grandes autores da época conhecida como o Mal do Século). E, mais do que isso, que entendesse o que está por trás dessas grandes obras. Em suma, sua professora de Literatura Portuguesa queria que você achasse a beleza nas grandes obras lusófonas de outrora, para que você entendesse mais sobre o seu nobre idioma nativo, e, de quebra, entendesse mais sobre a história do seu povo, da sua cultura, da sua língua, da sua herança. Que importante, né? E você desdenhava quando a professora pedia pra você ler "A Moreninha"...

Mas as suas aulas de Literatura Portuguesa provavelmente pararam em meados de 1950. A sua professora dava alguns exemplos de poemas e textos modernos, em que não há rima, mas há milhares de significados. Você aprende alguma coisa sobre Luís Fernando Veríssimo, Chico Buarque, Renato Russo. E fica por aí, a matéria termina. Seria, talvez, porque as últimas décadas ainda são muito recentes, e é difícil categorizar as últimas obras? Será porque a influência estrangeira (malditos ianques!) está matando a Literatura nacional? Será porque a modernidade brasileira está cheia de porcaria, e não vale a pena ensinar na escolha (afinal, você aprende em casa mesmo)? Oras, é de se entender que a situação criativa brasileira anda tão ruim, mas tão ruim, que os professores de Literatura tenham simplesmente decidido não ensinar na escola. "Recuso-me", diriam eles, "a ensinar semelhante ultraje!". Pra professores que ensinam dezenas de alunos, todos os anos, a apreciar as suaves ironias em um "Memórias Póstumas de Brás Cubas", comentar sobre "o pau ficando duro/o bagulho tá sério/vai rolar um adultério" deve ser, realmente, desesperador. Como ensinar para crianças de 11 anos sobre a candura de um poema de Alphonsus de Guimaraens, quando elas já sabem todos os funk proibidões de cor (e, pior ainda, sabem o que cada verso daqueles funk significam)?

Nesse contexto, compreende-se a professora que simplesmente ignora esses disparates modernos. É melhor fingir que eles não existem, que eles não são aceitos, e que tudo é invenção da mídia golpista. E continua a se ensinar aqueles arcaicos textos seculares, de uma época tão antiga que eles não tinham nem orkut. Bons tempos.
A esses puristas de espírito, que olham para o mundo moderno e não encontram beleza, convido-lhes a olhar de novo. Pensar fora da caixa, juntar conceitos completamente díspares, e perceber que a Literatura brasileira moderna ainda existe. Ela só está, digamos, travestida.

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"Tô fazendo amor com outra pessoa
Mas meu coração vai ser pra sempre seu
O que o corpo faz a alma perdoa
Tanta solidão quase me enlouqueceu"
~~Só pra Contrariar, "Depois do Prazer"

A canção "Depois do Prazer", lançada em 1997 pelo grupo mineiro Só pra Contrariar, é um dos exemplos mais nobres daquilo que eu convenciono chamar de "poesia brasileira noventista" - assim chamada porque a grande maioria dela se despontou durante a década de mil novecentos e noventa. Uma geração de líricos e poetas, que juntaram suas excepcionais capacidades de encontrar rimas nos lugares mais improváveis ("amor/dor", "paixão/coração", "gostosa/dengosa"), uma impressionante capacidade de falar de romance, sofrimento, prazer, alegria, e memoráveis capacidades de condensar tantas ideias em poesias coesas e claras. Não somente isso - essa notável geração de poetas, os "noventistas", também conseguiam enfiar essas poesias em uma música, vendê-la nas rádios e nas lojas, e ganhar muitos dinheiros e mulheres!! Eles não precisaram esperar sua morte para fazer sucesso na posteridade - eles conseguiram fazer fama e dinheiro enquanto eram vivos, ao mesmo tempo que reformulavam todo um conceito de lirismo e literatura! Senhoras e senhores, anotem em seus livros-textos de Língua Portuguesa: os noventistas são os pós-modernistas da história literária brasileira!
Com abordagens modernas, cotidianas, simplistas e musicalizadas, os noventistas combinam a produção musical da época dos antropofagistas e dos tropicalistas, mas com esse quê de vulgar, de populacho. Oras, o excerto acima aborda, abertamente, um eu-lírico que confessa que está se deitando com outra mulher, e se justificando na mais absoluta normalidade. Outros exemplos incluem pedidos à Lua para mandar um recado à amada, uma poesia inteiramente dedicada a um carrinho de mão, e até mesmo uma apologia explícita a um retorno ao conservadorismo, como eu já havia denunciado em outro texto meu. Alguns poetas falam de vassouras, outros de manivelas, alguns mais de pimpolhos. E é justamente essa capacidade de colocar, em forma de poesia, tantos assuntos outrora impossíveis, que faz do noventismo um movimento poético tão inovador e moderno! Travestido de música popular, os autores conseguiram fazer sucesso e serem reconhecidos, ao mesmo tempo que davam novo fôlego à quase moribunda arte de criar poesias brasileiras!

Mais do que símbolos sexuais e ídolos pop, esses poetas noventistas revolucionaram a poesia brasileira, aproximando-a do brasileiro comum. O brasileiro simples não sabe citar Carlos Drummond de Andrade, não sabe o roteiro de O Guarani, não sabe que a terra dele tem palmeiras. Mas com certeza sabe que a galera lá do Morro do Salgueiro e Vidigal tá querendo balançar! Eles agora têm um pouco de poesia brasileira pra eles! Um nicho de cultura erudita (?), para que eles aprendam a raciocinar, a digerir, a apreciar. Assim como você aprendeu sobre a beleza do seu idioma lendo "O Alienista", os brasileirinhos de hoje aprendem a beleza do Português aprendem ouvindo Molejão, Tchakabum, Chiclete com Banana. Isso é cultura, meu filho.
E se você disser algo contra, lamento informar, mas você é um desses conservadores antiquados, que sentem saudades da época em que TV era em preto-e-branco, e mulher não trabalhava fora. A nova poesia brasileira é popular, é vulgar, é samba no pé, é futebol moleque. Reflexo de uma sociedade cada vez mais popularizada - oras, na década seguinte elegeríamos um presidente metalúrgico! Essa poesia noventista almeja justamente alcançar esse popular. Produzir a poesia para agradar a esses flagelados sociais, que tantos anos ficaram sem entender quem diabos era Lima Barreto, Antônio Bandeira, Fernando Pessoa. Eles agora têm Companhia do Pagode, meu filho. Eles aprenderam a expressar seus sentimentos e suas situações sem precisar voltar no tempo. Mais do que encontrar refúgio em poetas do passado, eles inventam poetas do presente! Brava gente brasileira!!

E eles nem se importam se você acha isso pavoroso e repulsivo. Você, seu recalcado burguesinho, é um retrógrado inculto, e não sabe apreciar a beleza poética produzida por Alexandre Pires, Netinho de Paula, Leandro Lehart. Eles revolucionaram a poesia brasileira. Eles mudaram pra sempre a Literatura.
E é bom você aprender a viver com isso. Pau que nasce torto, meu filho, nunca se endireita.

quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Agradeçam ao Bacalhau

Adeus, 2009! Até mais, so long!

Também cotado como o ano em que este autor que vos dirige a palavra menos contribuiu para este blog, o ano de 2009 se vai com muitas memórias. Siiim, lá se vai um ano verdadeiramente único, em que tantas coisas aconteceram...
Bah, grande merda. 2008 também aconteceram várias coisas, mas nem por isso ele foi diferente. A verdade é que logo mais, 2009 só será mais um ano no passado. E se você pensar bem, em pouco mais de um ano, 2010 também será passado. Então por que se importar com tudo isso? Pra que toda essa euforia? Vamos beber e gastar dinheiro com coisas desimportantes, em vez disso! Esses são os meus votos para vocês em 2010. Vivam desimportantemente, porque ser importante é chato e sem-graça :B

Esses 10 dias que antecedem a cerimônia oficial de troca de folhinha de calendário da parede costumam ser cercados de tradição, né? Comprar presentes de última hora, ir em festinhas de família, agradar a pentelhada que há na sua família (se você for azarada, tem de agradar a sua pentelhada também...).
E aí, passado o Natal, é época de Ano Novo! Aew! Virada de ano com comida e doces e alegria e rojões! Uma tradição, em especial, me chamou a atenção ainda hoje, no último dia do ano, vejam vocês: esse tal de bacalhau nas festividades de Natal/Ano Novo.
Uma vez me disseram (aula de História, talvez) que toda tradição é carregada de significados. Eu nunca pesquei o significado do bacalhau, entretanto (provavelmente porque eu nunca me importei), então eu fiquei cismado. E das últimas vezes que me cismei com alguma coisa, fui, claro, ao Google todo-poderoso, e não só aprendi mais sobre a vida e o universo - ou sobre a cultura inútil, como preferirem - mas também consegui informações suficientes para uma postagem neste blog! Então celebrem meu interesse por coisas aleatórias, porque graças a ela, tem texto aqui hoje, no dia último do ano! AEEEEW!!

AGRADEÇAM AO BACALHAU
Graças a ele, todos nós falamos Português

Era uma vez o Reino de Portugal. Uma nação menor, caipira e cafona nos lados mais esquecidos da borda ocidental do continente europeu. Enquanto o resto da Europa se divertia entrando em guerras por mais terras para plantar trigo, os tugas viram que não era uma boa ideia participar dessa brincadeira. Primeiro porque eles não eram nada bons em brigar por terras. Segundo porque do outro lado, tinham os reinos espanhois, que eram mais ou menos aliados entre si e também eram cristãos, então pegava mal matar filhos de Deus. Terceiro porque os portugueses nunca foram muito fã de pão, mesmo, então nem valeria a pena.
Já que não rolava plantar, eles se lembraram que estavam de frente para o maior mar que os povos europeus conheciam, esse tal de Oceano. E passaram a navegar nos oceanos, para comerciar com outros povos que também estavam à toa. Entre uma navegação e outra, eles começaram a praticar a pesca. E ficaram realmente craques nisso. Os portugueses viraram exímios pescadores, além de grandes comerciantes e craques em desbravamento.

Mas os tugas tinham problemas internos. Acontece que comer era um treco caro em Portugal no século 13 e 14, porque era difícil ter carne pra todo mundo e, como eu já frisei, pão não era a praia lusitana. A Igreja Católica, que na época se encarregava de controlar a vida dos seus fiéis, proibia que os portugueses comessem carne vermelha em dias comuns. Isso, naturalmente, porque o preço dela era extremamente proibitivo. Então os lusos tinham de se virar para comer outras coisas - peixe, por exemplo. Eram mais fáceis de achar, eram mais saudáveis e tudo isso. Não foi à toa que os lusos ficaram tão fissurados em navegar: era onde a comida estava, ó pá!
Bom, nestes mesmos séculos 13 e 14, os tugas passaram a desbravar as águas. Nadaram para o sul e para o norte e para tudo quanto era lugar em que tinha água suficiente pra se enfiar uma caravela. E um dia chegaram na costa do Canadá. O atual país do norte da América do Norte era há muito conhecido pelos víquingues, mas os portugueses chegaram lá e descobriram um tipo muito bacana de peixe: esse tal de bacalhau. Um peixe que depois de pescado, vem extremamente salgado e que precisa de um tratamento de pelo menos um dia pra que ele fique comestível. Difícil, né?

Mas aí é que está a graça! Ele era salgado!! Os europeus que viajavam muito descobriram que o sal mantinha a comida fresca por mais tempo. E o bacalhau, vejam vocês, era salgado por natureza! De sorte que ele aguentava longas viagens e continuava fresco! E ele era gostoso, ainda por cima! E como ele era um peixe, os portugueses podiam comê-lo em dias regulares da semana sem serem punidos pela Igreja Católica!
Pouco a pouco, o bacalhau foi considerado um alimento extremamente desejado na culinária portuguesa, e os nossos patrícios passaram a ser os maiores consumidores de bacalhau do mundo (recorde que ainda mantêm). Também foi conectado a motivos religiosos - afinal, a Igreja estimulava o consumo de bacalhau para que outras carnes mais caras fossem poupadas. Então comia-se bacalhau na Páscoa, e no Corpus Christi, e em festas de santos devotos... E, claro, no Natal! Graças ao sal do tal do bacalhau, os portugueses aprenderam a comê-lo tanto que virou símbolo nacional. Credo, né?

E o que tem a ver o bacalhau com o título lá de cima? Bom, há um historiador português que defende que graças ao bacalhau, o Reino Cafona de Portugal passou a ser o Império Megafodão Português. Isso porque os portugueses passaram a dominar as técnicas mestras de navegação ao buscar peixes para pescar. E as técnicas usadas pelos tugas ao desbravar, conquistar e consumir o tal do bacalhau lhes garantiu tamanha capacidade técnica que foi possível, em 1500, achar a Bahia! E com a Bahia (e também a Angola e o Moçambique e a Índia), os portugueses passaram a ser um superimpério que comprava e vendia qualquer quinquilharia, que ensinava português a qualquer metido a sabichão por aí e que dominava a maior parte das novas terras mundiais. Tudo isso a partir de um paizeco que parece uma orelha!
Segundo o raciocínio criado, graças à pesca, os portugueses se interessaram pela navegação. Aí eles se interessaram pelo comércio, aí eles se interessaram pelas rotas comerciais, aí eles se interessaram pelas Índias! E sem querer caíram no Brasil!

Então lembrem-se, queridos lusófonos: quando estiverem comendo seus bacalhaus com vinho Madeira, lembrem-se de que graças a este peixe salgado e que nem é encontrando nas costas portuguesas, hoje todos nós falamos português, e não algum dialeto bizarro derivado do francês ou holandês. Ou, pior ainda, poderíamos estar falando espanhol e viver numa grande Confederação Argentina! Imagina, nascer no mesmo país do Maradona e do Kirchner? Ainda bem que temos o bacalhau. :)

Despeço-me então de 2009 com esse post mais ou menos, crianças! E meus votos de que em 2010 eu consiga postar mais vezes, né? Não dói nada tentar.
Feliz Ano Novo para vocês, crianças! Até o ano que vem!!

Ouvindo:
Lovers in Japan (Osaka Sun Remix)
Coldplay
Prospekt's March (2009)

sexta-feira, 10 de abril de 2009

Sobre as Maçãs

Feriado santo! Mais um feriado na boa terra brasilis, onde é sol o ano inteiro e tudo tem cores mais vivas! Feriados me deixam animados, me deixam descansados, me deixam despreocupados, me deixam mais felizes. Eventualmente, entetanto, feriados acabam, e tudo fica sem-graça outra vez. Mas oh, well, foi bom enquanto durou, certo?
E pra você? Foi bom pra você? :B

De volta à ativa, é hora de upar algo de interessante aqui. Ou tomara que seja. Se não for interessante, então vocês se deram mal. Assim sendo, cruzem seus dedos e torçam pelo melhor. Normalmente, pra mim, funciona - ontem eu torci pelo melhor, e meu time conseguiu uma importante vitória na Libertadores. Então, às vezes, vale a pena torcer.
Claro, se você for corinthiano, do not bother trying. Ou, sei lá, tente. Desencargo de consciência. :P

Sobre as Maçãs

Um pequeno apanhado de ideias

Você, meu colega de blog, que ora lê este texto. Este trecho, em especial. Imagine um elefante. Um daqueles africanos, com enormes orelhas de abano, pequenos rabicozinhos com final espanadorzado, trombas proeminentes, dentes de marfim e toneladas de peso. Imaginou-o? Imagine-o, agora, em uma típica vida familiar, com esposa, filhinhos e quem mais o convier, em uma piscina de lama, se divertindo nas tardes ociosas em um pequeno hábitat dentro da vasta savana africana.
Imaginou? Então esqueça tudo. Não é sobre elefantes que pretendo falar. :B

Voltemos ao título. Formule uma imagem mental de uma maçã. Uma maçã qualquer, a variedade que mais lhe apetecer. E pergunte-se: o que há neste fruto vermelho e do tamanho de um punho que atiça tanto a imaginação da boa raça humana? Por que a raça humana, em seu esplendor evolutivo (All heil mankind!) dedica tanto tempo de sua existência a venerar um fruto pomáceo tão simples como esse? Tipo, é completamente compreensível venerarmos o dinheiro, ou os cachorros, ou os Simpsons. Mas ahn... a maçã?
Não sabe do que estou falando? Experimente parar por alguns segundos e se perguntar quantas referências existem à imagem da maçã. E existem algumas referências. Algumas bastante conhecidas, devo dizer. Vocês também a conhecem, querem ver? Falemos do Éden.

Recordemos de Adão e Eva, os pirilampos humanos originais. Em algum tempo do passado remoto (mas não tão remoto quanto o tempo de Star Wars, que foi há muito, muito tempo), Deus inventou Adão. E depois, com as peças que restaram (hehe), inventou Eva. Viu Deus que era bom, blah blah blah. Bom, depois de deixar os nossos adoráveis ancestrais perambular pelo jardim do Éden felizes da vida, meio que baixou Hugo Chávez no nosso adorável ente Todo-Poderoso, e ele proibiu a Adão e Eva de comerem um magnífico pomar cheio de maçãs. O pomar ficava em uma área muito bonita (com acesso à Marginal Pinheiros, perto do shopping e com segurança 24 horas por dia), e as maçãs eram vermelhas e bonitas. Realmente vermelhas e bonitas. Daquelas que você acabou de colocar o olho, e já se imagina dando uma dentada nervosa na casca da maçã. Daquelas tão indecentes que parecem pay-per-view do Big Brother. Um negócio indecoroso.
Bom, Eva, nossa menina loirosa e feliz, foi eventualmente tapeada por uma serpente sapeca (que, em minha visão, falava com sotaque carioca) a comer a maçã vermelha e bonita. Deu uma dentada, gostou, apanhou umas maçãs, levou a seu partner, Adão, e foram os dois, desobedientes que eram, a comer maçãs. Eis que aparece Deus, que tinha ido dar uma voltinha rápida, e ele vê essa cena de desobediência direta às suas ordens. Oh, fuck.
Bom, rola um estresse básico, Deus se emputece colericamente, grita como um gorila revoltado, e expulsa nossos tetratetratetratetravós do Éden. Por causa de uma maçã. E por causa de toda a discórdia que acompanhou a maçã. Porque, com ela, os seres humanos deixaram de ser perfeitos. Aprenderam sobre o certo e o errado, e viraram pobres mortais. Em suma, eles tomaram a pílula vermelha do Matrix (que, se vocês pensarem, era vermelha em alusão à maçã).

A partir dessa história popular, meus queridos, a maçã passou a ser o símbolo do pecado da desobediência com Deus, o Mano que Manda. A simpática frutinha virou o estandarte do errado perante o Catolicismo (a religião monoteísta com tendências dominadoras, por excelência), e durante muito tempo a pobre frutinha, tadinha, sofreu de preconceito. Marginalizada pelos católicos medievais (povos sobre os quais já fiz diversas referências nestas páginas), a pobre maçã virou, associativamente, o símbolo do lascivo, do errado, do impublicável. E, não só isso, mas também o símbolo da abertura da humanidade para a razão, a sabedoria universal, o discernimento do certo e do errado. Em suma, tudo o que não era celeste e divino poderia ser representado e canalizado na imagem da maçã. Pesado isto, né?
Mas, tipo, o que a fruta vermelha fez pra merecer isso? Quer dizer, ao ler a Bíblia (e alguém que a leu mais profundamente do que o autor que vos escreve, por favor, me corrija se eu escrevi merda), você, caro leitor, notará que não há qualquer referência à maçã. Não é dito, na história do Éden e da expulsão, que Eva e Adão se saciaram com maçãs. O termo usado é "fruto proibido". Mas pode muito bem ser uma banana, um pêssego, uma laranja, um rabanete. E esse último traria consequências ainda piores, porque um rabanete não é um fruto, logo, não pode ser um fruto proibido. Mas isso não vem ao caso. O que nos apetece é que não está escrito que é a maçã que é má. Alguém criou uma livre-associação entre a maçã e o pecado, out of fucking nowhere!
Sabe-se, com certeza, que as primeiras associações livres entre maçãs e frutos proibidos nasceram na Renascência (logo, não houve preconceito contra a maçã na Id. Média, viram?). Os pintores renascentistas descobriram que eram muito bons pintando coisas, porque inventaram a perspectiva e outras técnicas fodonas de pintura. E eles eram contratados pela Igreja, pra pintar histórias católicas para os católicos. E, naturalmente, rolava a história de Adão e Eva, os pirilampos humanos originais. E na hora de pintar, nossos pintores renascentistas, por falta de melhor opção, escolheram a maçã. Há quem ache que é por influência da história das maçãs douradas no Jardim das Hespérides, uma história da mitologia grega, em que Hércules teve de fazer seu décimo-primeiro trabalho. Segundo a história, Hércules teve de correr até lá, roubar umas maçãs douradas e levar pra Hera, sua madrasta má. Com isso, a maçã do Éden teria a conotação de fruto roubado, de coisa proibida.
Ademais, em latim, maçã é malus. E pecado, em latim, é malum. Se você pluralizar as palavras, ainda, elas ficam iguais (mala). Logo, rolou uma conexão quasi-instantânea entre a maçã e o errado. Mas, vejam vocês, sem embasamento empírico! Foi por puro preconceito!!

Bom, a renascença, eventualmente, passou. A maçã voltou a ser uma fruta inofensiva, todo mundo comia, era aquela promiscuidade típica. Aí, veio Isaque, aquele levado da breca. Lembram-se de Isaac Newton? O rapaz, entre outras coisas, era filósofo, físico, matemático e, no fim da sua vida, se meteu em economia (o motivo da Europa ter passado um século sob o padrão-ouro, inclusive, se deveu a Newton, que influenciou a Inglaterra a usar o ouro como metal principal nos seus cofres).
Conta a história que o inglês estava de boa na lagoa, em uma pequena cidade no condado de Lincoln, leste da Inglaterra, meditando sobre os planetas e essas coisas astronômicas do espaço sideral. Aí, abaixo de uma macieira, ele havia sentado para pensar sobre as coisas que ele estava pensando. Quando uma pequena maçã maturou, ela caiu da árvore, e acertou a cabeça de nosso amigo inglês inventivo. Este, ao levar a dose de maçã na cuca (e após ofender um bocado a árvore e a dor de cabeça) considerou que, afinal, ele havia descoberto a resposta para as dúvidas que ele estava procurando. E ele formou, pela primeira vez, a ideia da gravidade! E nasceu a Lei da Gravitação Universal. E daí pra frente, Newtinho meio que explicou toda a Física que aprendemos na escola. A Física Clássica de Newton. Por causa de uma maçã.
A Física de Newton era, agora, mais um capítulo na eterna luta ciência-igreja. Só que esse capítulo era tenso, crianças, porque era a primeira vez que a ciência tentava explicar as leis do Universo com tantas regras irrevogáveis e indubitáveis. Em termos miúdos, Newton tentou explicar a lei do Universo e, sabemos nós, a lei do Universo era, até aqui, propriedade de Deus, o Todo-Poderoso. Newton tentou dedar pra todo mundo como o Universo funcionava!! Graças à maçã, mais uma vez, os humanos adquiriram sabedoria e capacidade de duvidar do divino. Sem querer, mais uma vez, a maçã era símbolo do lógico e do pecado contra Deus. E tudo o que a pobre maçã queria era ser saborosa... =/

Graças a Isaque, a maçã se transformou no símbolo não-oficial da ciência. Em um dos anos recentes, o manual da FUVEST (aquele vestibular maligno que seleciona os adolescentes para a Universidade de São Paulo, conhecem?) foi publicado com uma maçã redondinha e vermelha na capa. O símbolo, por excelência, da Física Moderna, e do conhecimento nascido em todo o século XIX e XX. Sim, porque não há como negar que muito do que a ciência achou nos 200 recentes anos se deve ao Isaque, o preguiçoso fidalgo inglês, que dormia preguiçosamente em Lincolnshire. E, por livre-associação, se deve também à imagem da maçã. A vermelha e redondinha fruta pomácea. Que livrou a humanidade das trevas e do não-conhecimento. Bonito, né?
Seja como for - mais do que uma fruta, a maçã tem uma imagem transcedente à ela. É como, por exemplo, o leão, cuja imagem é muito mais forte e marcante do que o animal em si. Nunca houve leões na Inglaterra, mas o Reino da Inglaterra utilizava 3 leões estilizados em sua bandeira, pra simbolizar a alta hierarquia do leão na vida selvagem (o leão, after all, é rei das selvas). Não existem países cujas bandeiras fizessem referências à maçãs, mas a fruta vermelha e redonda tem uma imagem forte, marcante. Talvez por ser vermelha (uma cor marcante), por ser gostosa, por ser facilmente reconhecível, a maçã é uma fruta muito famosa. Mesmo quem não gosta de maçã lida sem problemas com a imagem dela, consegue fazer referências simples à fruta e ao seu legado histórico.

A partir daí, o século XX viu a maçã ganhar ainda mais conotações. Por exemplo, a maçã do Sílvio Santos, do programa Tentação (não sei se vou ou se fico...). Ou a Apple Inc., cujo nome adveio da maçã que caiu na cabeça de Newtinho. Ou as maçãs do amor, que simbolizariam o amor, e que nada mais é do que uma tentativa de purificar o pecado da safadeza (hohohoho...).
As maçãs não são mais frutas inocentes. Não são mais pequenos pseudofrutos avermelhados provenientes de árvores da família rosaceae. Nope. São frutas transcedentais. Simbolizam o errado, o pecado, o maligno, a discórdia. E simbolizam a sabedoria livre da religião, o pensamento crítico, o científico. Estranho, né, como uma frutinha de 8cm de diâmetro conseguiu tanta associação à sua imagem...
O que me faz pensar: seria isso um golpe publicitário? Será que houve uma firma que vendia maçãs, e que patrocinou os estudos de Newtinho, desde que ele dissesse que foi tudo culpa de uma maldita maçã? Assim, as pessoas comeriam mais maçãs, a imagem da maçã ficaria pra sempre grudada na civilização? Sim, porque as pessoas adoram discórdias. E uma discórdia que nasceu graças a uma frutinha pequenininha e tão bonitinha e suculenta, então... Fica bem mais fácil vender maçã quando todo mundo sabe que, graças a ela, temos iPods. Que é da Apple, também. Yes, as maçãs vermelhas e docinhas parecem inofensivas, mas dominam boa parte do mundo ocidental. Você convive com maçãs mais tempo do que percebe, sabia disso?
Pense nisso quando comer uma maçã. E aproveite, e vá comer uma agora. Além de tudo, elas são muito saudáveis. E gostosas, também. =D

Ouvindo:
The Shock of the Lightning
Oasis
Dig Out Your Soul (2008)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Feliz 2008

Buenas, galera! Começando o amável ano de 2008, mais um ano nos nossos calendários e rotinas, eh? Não é fantástico?
Eu também acho que não. :P

Continuemos nossa saga infindável: achar um tema para postar no meu blog! Aê! Interessante que recentemente parece que não vem nada de aproveitável. Até tive algumas idéias, mas, sei lá, não consegui desenvolvê-las. Seria uma crise? Oh, noes!
Não, nada de crises. Crise é coisa de emo. E eu acho que já clarifiquei - não sou emo, right? Ótimo.
Sem mais atrasos, vamos ao prato principal.

FELIZ 2008
Típico Post de Início de Ano
Com um atraso de uma semana, ele finalmente chega. :D

O ano de 2008 chegou, pessoal! Festa! Felicidade! Torta na Cara!! Cara, sinto saudades do Passa ou Repassa.
Com o ano por aí, é hora de sentar e calcular o que haverá de novo na vida. Tem essa crendice que "ano novo, vida nova" que rola solta, então todo mundo acha que tem a desculpa de poder começar tudo só porque o calendário resetou, só porque estamos em Janeiro, e ainda tem tempo suficiente até Dezembro. É a mesma história do regime que sempre começa na segunda que vem. E você lá, engordando, e come mais um pedaço enorme de pudim, porque segunda que vem é dia de começar um regime. Dos brabos.
Então, porque o ano é novo, a sua atitude vai ser completamente renovada. Vai brigar menos, vai xingar menos, vai ser um estorvo bem menor, vai se dedicar à coleta seletiva do lixo, vai abraçar a causa ambiental, vai votar em um político decente, vai aprender salsa e nunca mais vai mascar chiclete. Se possível, vai tentar acreditar de verdade em Deus e no que o padre fala. Agora vai!

Só não entendo porque o desespero em se rejuvenescer todo ano. Só por que o ano é novo, a mentalidade é nova? Eu troco de cuecas todo dia e nem por isso renovo minhas idéias. Aliás, se você tem acompanhado minha saga de escritor, notará que "renovar" e "idéias" não costumam se juntar quando é algo a meu respeito (e, que fique claro, isso não quer dizer que não troco as cuecas, hein?).
Na verdade, é raríssimo encontrar um cara que realmente consiga mudar as resoluções dele para a vida, o universo e tudo o mais só porque deu meia-noite do dia primeiro de Janeiro. A não ser que o cara ganhe na Mega Sena na primeira semana do ano, ele acabará amolecendo, e vai descobrir que o ano x+1 vai ser no mesmo ritmo do ano x.
Tá, tá bom, tem algumas exceções, é verdade. O cara que passou esse ano no vestibular, com certeza terá rotina alterada. O cara que arranjou um emprego em qualquer lugar da Eurozona também estará com o ano prometendo tremendas mudanças. E assim sucessivamente. Como estes são casos isolados na nossa esfera azulóide, é muito provável que você se encontre como o cara que vos fala: fazendo várias promessas de melhorias para o ano 2008, e descobrindo, em algumas semanas (alguns meses para quem é tapado) que não adianta, rapaz, você é você e não vai mudar.

Mas que fique explícito aqui: não vá deixar de comemorar o ano-novo só por causa disso. Vai, cara! Compre rojões! Compre bebidas! Compre pacotes de turismo e vá pra Guarujá! Compre roupas e sapatos! Movimente a economia!
No fundo, no fundo, é tudo um golpe do capitalismo: fazer da gente feliz pra gente gastar dinheiro e alimentar o monstro capitalista. Sim! É tudo uma maneira do capitalismo pra fazer a gente gastar mais e mais dinheiro, só pra gente ficar feliz. Quem quer ficar feliz, afinal? Queremos mais é que o Capitalismo morra! Mooooorra!!

Bom, falava eu da mentalidade rejuvenescedora, que eu não entendo. Pra que prometer mundos e fundos (uma expressão que eu acho fantástica, embora em desuso) por uma causa perdida? Pra que prometer fazer um regime, se nunca vai sair? Pra que prometer que o Corinthians vai sair da crise? Não, não vai dar certo, não tente enganar os outros. Você é um peso morto, um ameba sem força de vontade que não conseguiria levantar para soltar um pum. Seu bosta.
Agora, acompanhe comigo: você é um bosta, certo? Não tem força de vontade, não tem futuro, não tem jeito. Vai tentar e não vai conseguir. Vai prometer tirar boas notas e não vai dar certo. Vai prometer arranjar um emprego e uma namorada e não vai conseguir. Vai largar a internet e os doces, e vai falhar. Então, pra que tentar? Pra que se esforçar com as resoluções de ano novo? Why bother?
E já que você não vai conseguir abandonar o vídeo-game, mesmo, já que não vai tirar boas notas, abandonar o carteado, deixar de comer chocolate, sugiro que você desista de lutar com você mesmo! Isso aí! Veja, por exemplo, um cara que conheço, que não sou eu e não tem nada a ver comigo, é só um amigo de um amigo meu. Enfim, este amigo de um amigo meu adora video-game. Viciadão mesmo. Há alguns anos atrás, prometeu que ia largar o vício por causa do ano novo. O que aconteceu? O cara não conseguiu, ficou deprimido, chateado, desmotivado, sem vontade de cantar uma bela canção. Pobre dele. Mó fossa, mesmo (fala a verdade, Pammy, não é uma palavra divertida?). Passou um ano em crise, nem conseguiu passar na faculdade. No fim desse ano, não prometeu nada. Prometeu somente que iria trocar as cuecas regularmente.
Mas ele teve uma idéia, no fim de um dos anos: já que ele prometia e não rolava, decidiu prometer algo que ele daria conta! Ele prometeu que iria se esforçar para jogar ainda mais vídeo-game! Agora sim!! Ele prometeu algo que ele tinha certeza que cumpriria! Agora, esse amigo de um amigo, que não tem nada a ver comigo, vive feliz, jogando vídeo-game, com a sensação de dever cumprido e de bem com ele mesmo. Bonita história, não?

Que lição tiramos dessa bonita história? Não faça nenhuma promessa que você não vai cumprir, cabeção. O universo é injusto e joga roubando contra você, então roube você também! Arranje um objetivo bastante fácil e se agarre a ele! Coma doces feito louco! Continue desempregado e sem namorada!Não arranje um amigo! Não abrace a questão ambiental! Lembra-se do WAR? Então, em vez de 24 territórios à sua escolha, pegue um objetido do gênero "Conquistar a Oceania ou a América do Sul, ou somente um dos territórios deste continente". Agora você tem chances grandes de ganhar, certeza.
E se alguém estranhar, lembre-se de repetir: é resolução de ano-novo. Dá azar se você não cumprir. Não diz depois que você não foi avisado. Porque eu avisei. Dá um azar dos infernos :P

Ano que vem vocês me contam como foi. Estarão com menos saúde, menos amigos, menos dinheiro e, no geral, bastante acabados. Mas estarão felizes. O importante é isso! Feliz 2008!

Ouvindo:
Here Comes Your Man
Pixies
Doolitle (1989)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Calor Lazarento

Fim de Ano! Aew! O Inominativo chega para o fim do feliz ano de 2007, com um balanço positivo! Ié ié! O blog é repleto de pessoas ilustres visitando (vocês, naturalmente) e boas impressões dos visitantes. Já que é assim, eu me esforço e posto de novo, certo?
Certo!

Eu tinha algumas idéias boas. Só que duas delas já venceram, porque eram sobre o Natal e o Natal já se foi faz 4 dias - isso é muito tempo. E as outras eram ótimas candidatas para a postagem de hoje, mas eu acordei com outro problema na cabeça. Um problema grandão. É o problema que dá título ao post de hoje, o último do ano.

CALOR LAZARENTO
Quando o Tempo É Bom Demais

Viver em São Paulo é o máximo, claro que é. Vocês sabem que eu adoro essa cidade (e se você não sabe, deveria ler este post), que acho ela fantástica, maravilhosa, sensacional, um luxo.
O caso da cidade paulistana, entretanto, é que o "máximo" da primeira frase é levado a sério, e em diversas situações diferentes. O máximo de grandeza, de gente, de bagunça, de sujeira... Tudo aqui é no superlativo.

E esse "máximo" não falha quando falamos do clima. Vejam vocês, por exemplo, o Verão. Uma estação agradável, com muito sol, sorvete e roupas de banho. Mas a agradável Paulicéia surpreende sempre os moradores, e liga o termostato ao máximo, cabra! Quando você menos percebe, está um calor de 33º nas ruas, pessoas morrendo carbonificadas nas ruas, gente em pânico.
E quando chega o Infer... perdão, o Inverno, aqui também é o máximo da friaca. Tudo fica ainda ainda mais cinzento e mórbido na cidade que já é bastante conhecida por ser cinzenta e mórbida. O vento vem terrivelmente gelado e cortante, e nenhum lugar parece ser quente o suficiente pra compensar. Nem ônibus lotado de sexta-feira às 18h00 dá cabo do frio.
Isso pra não falar de quando chove. Esse nem precisa de explicação direito, precisa? Dois minutos de chuva são suficientes pra acabar com o trânsito tão pacífico, mas quem disse que só chovem 2 minutos em São Paulo? Ficamos três semanas sem nem olhar uma nuvem de chuva, e quando a chuva vem, mata quem estiver na rua afogado. As favelas vêm abaixo (de novo), todo mundo redescobre os guarda-chuvas a cinco reais. :P

O negócio da cidade é que a metrópole está em cima da famigerada Linha de Capricórnio. Manja, aquela linha que separa o que é Zona Tropical de Zona Temperada? Onde o sol bate em cima quando é verão, e onde ele passa looonge quando é inverno? Essa mesma. Então, a cidade paulistana está em cima dela (teoricamente falando, a linha passa acima da mancha urbana por alguns quilômetros, mas isso não faz a menor diferença em termos de clima, faz?), e a gente nunca sabe se a cidade está em Zona Tropical ou Zona Temperada. E a gente fica com o pior dos dois casos! Quando faz frio aqui, esfria tanto quando as nobres cidades do Sul brasileiro, e quando esquenta, é um calor lazarento dos infernos, porque a poluição ajuda a aumentar a temperatura no verão.

Haverá os que dirão para mim (porque sempre há) que aqui nem é tão quente assim, que no Nordeste ou no Centro-Oeste as temperaturas são ainda mais desagradáveis e destruidoras - o Norte não vale, a Amazônia alivia pro lado deles - do que as daqui. Ao que lhes respondo: acabamos de sair de um frio miserável no Inverno! Houve, em Julho, um dia em que chovia e ventava terrivelmente. Eu estava tentando instalar uma placa nova no computador que ora uso para atualizar meu blog, quando a temperatura baixou tão miseravelmente que eu sentei no sofá, agarrei os três edredons mais próximos e me fechei dentro deles, tremendo de frio. Quando eu dei por mim, todo mundo em casa também tinha se enfiado em algum lugar pra tentar vencer o frio, e ninguém conseguia fazer nada de útil. Um sábado gostoso de férias, e ninguém podia fazer nada, por causa do frio!
É nesta mesma sala, 6 meses depois, que entro depois de sair do meu quarto, e me deparo com todo mundo jogado em um colchão improvisado nada sala, porque ninguém aguentava ficar sentado no sofá. Eu, com a camiseta grudada de suor, minha mãe com a testa oleosa, meu irmão semi-dormindo, e todo mundo com o cérebro babaca. Eu acho que não saberia fazer uma conta de soma se me perguntassem.
Interessante, porque o calor meio que te impede de fazer as coisas. Você não consegue pensar em um calor infernal. Você olha para as coisas e tudo adquire um blur, um fosco. Você fica com preguiça de fazer qualquer coisa que envolva movimentar músculos, e isso incluir falar com clareza. Então você também tem dificuldades de ouvir o que os outros falam. E o raciocínio fica lesado, a preguiça aumenta, você fica devagar... Mais um típico dia de verão.

E aí, que muitos comemoram, e muitos reclamam. Há os que acham que é odioso viver nesse calor, derretendo, morrendo, sofrendo. Toda roupa que eles usam gruda neles, eles têm que usar litros de desodorante pra dar conta do cecê lascado, ficam com mau-humor e irritados... E há os que adoram o verão, querem usar menos roupas, pular em piscinas e praias, beber cerveja até cair, tomar sorvete...
É o melhor a se fazer, mesmo. Acordar mais cedo, partir para algum lugar legal com amigos e invadir uma sorveteria, aproveitar a praia, exibir para o mundo a sua felicidade brasileira :D
Agora, se você for um pobre lascado que nem eu, o melhor mesmo mesmo a se fazer é passar calor em casa, ligar um ventilador ao máximo e pedir piedade aos céus. Tente não desanimar e acabar com a sua vida, entrementes porque, como eu canso de falar, isso é coisa de emo. Aliás, até me pergunto como andam os emos, vestidos todos de preto nesse calorzão bão de Deus. Bah, isso é problema deles, não meu. O meu problema é raciocinar nesse mormaço infeliz.

Inda bem que já já chove. Se tem uma coisa que eu tenho certeza sobre o tempo paulistano é: quando o céu está bonito, logo logo vai chover.
Eu sei, nada aqui faz sentido. Nem a cidade, nem os moradores. :D

Aproveitem a festa do Ano Novo, macacada. A gente se vê só no ano que vem, agora. :D
Adeus, Ano Velho! o/

Ouvindo:
Under Pressure
Queen & David Bowie
Hot Space (1982)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Deus

Noite, cambada! Como vai a bagunça nossa de cada dia? :B

Estava a minha pessoa a jogar conversa fora, como há muito tempo não fazia, nA PIOR COMUNIDADE DO MUNDO (sim, em letras capitais). Uma comunidade do orkut, assim, como todas as outras. Típica, pacífica, amiga de todos e de tudo. Seria mais uma comunidade qualquer, não fosse o fato de eu ter conhecido lá uma pá de gente boa! E eu passo algumas horas lá jogando conversa fora, sempre que posso.
Seja como for, estava na PCDM (que é como chamamos a comunidade), a conversar com os seres humanos que por lá vagavam. Quando surgiu um assunto em que eu usei de minha criatividade - que, vocês sabem, é fraquíssima - e acabei falando do Mano que Manda, sabe? É, o TP, o Todo Poderoso. Então, embalado, decidi que ficaria um post legal. Ou, pelo menos, uma tentativa legal de post.

Mas, depois, pensei: não acharão pedante demais? Não acharão impáfia minha? Blasfêmia, talvez? Então receei. Mas pensei "Bah, que bagulhos, este é um país livre. Posso falar da divindade que bem entender e nada de ruim vai me acontecer". E é isso aí.
Bom, enquanto eu estiver vivo, acho que nada me acontece. Quando eu morrer as contas serão acertadas (hohoho), mas enquanto eu devo, não nego e pago quando puder...

DEUS
A visão de um leigo


Costumam falar que Deus é um velho chato. Um cara ranzinza e ranhento, que obriga a todos e a tudo a adorá-lo incondicionalmente, como se ele fosse Hugo Chávez e nós fôssemos os revolucionários otár... eeeerm, simpatizantes. Só porque ele criou o Universo sem o nosso consentimento, a gente é obrigado a viver em dívida com o vovô chatão, que ainda tem a pachorra de não nos dar a menor prova da existência dele, só porque, um dia, uma tal de Eva lá viu uma maçã vermelhinha, vermelhinha, e deu uma dentada. Daí baixou o espírito de Chávez de novo no velho chato, ele expulsou pra sempre os humanos do Paraíso (também conhecido como Principado de Mônaco). Só pra ele ficar sozinho comendo as maçãs dele.
Conclusão: Deus é um velho caquético e gagá, que criou o mundo e acha que tem que ser eternamente agradecido por isso, mesmo que a gente ache que tenha sido uma péssima idéia, a dele. E ele não gosta de ser contrariado, quer ditar nossa moda, nos dizer o que fazer e quando. Realmente, ele parece um ditador latino-americano, hein?

Mas, meu, pensar assim do Deus Todo-Poderoso, pra mim, é muito broxante. Qual é a graça em viver feliz se temos um cara gagá com poderes ilimitados em cima de nossas cabeças, e que pode decidir a qualquer instante em que buraco vai nos mandar? Se fizermos algo de errado, ele vai nos fazer queimar eternamente no Inferno!, ouvindo Fresno e NX Zero, e essas coisas que qualquer ser humano decente tende a odiar. Viveremos sempre chateados e receosos, esperando pelo pior, a qualquer momento. Credo, não foi à toa que todo mundo se lembra com pesar da Idade Média quando, em geral, era assim mesmo que as pessoas viviam.
Eu, entretanto, sou decididamente otimista, vocês devem ter notado. Eu sempre preferi achar que tudo tem jeito, que a vida é feliz e legal e essas coisas. E, digamos, esse tipo de visão não é compatível com um mundo em que temos um ditador abusivo no poder, certo? O bom do Século XXI é que consolidaram a democracia, e isso significa que a gente pode pensar o que bem entender das coisas sem ser preso por isso! É daí que veio a minha inspiração: se Deus realmente existe, quem é esse cara? O ilustre desconhecido, que todo mundo conhece, mas ninguém sabe quem é. Quem? Que mistério...

Na minha leiga opinião (digo leigo porque não sou religioso; eu não sei exatamente o que sou, mas católico praticante eu definitivamente não sou), Deus é um cara legal. Mas, sei lá, não é um cara legal, como qualquer um que você encontra na rua e ele te dá passagem ou te pede desculpa se ele pisa no seu pé. Ele é um vovô muuuuito legal. Um cara velhinho, assim, com jeitão de sábio que conhece de tudo (porque ele, de fato, conhece de tudo), que entende de tudo, que tem todas as respostas.
Ele deve ser um cara bastante hiperativo, e volta e meia deve ficar entediado. Ele ficou entediado antes de criar o tempo-espaço em C# (uma linguagem de programação, pra quem não é nerd), e criou o Universo e o tempo-espaço. Ele gostava de ver coisas explodindo, porque ele gosta de luzes e sons (embora o som não se propague no espaço). Quando se entediou de novo, programou o Universo para que o Sol e a Terra nascesse (calculo que a Lua tenha sido um erro de fórmula) e depois, fez a sopa de bichinhos lá que originou as amebas e a vida em geral. Ê, prêmio de Biologia para o nosso vovô gente fina.
Calculo também que ele ficou radiante quando chegou nos dinossauros. Sabe aquelas crianças que assistem Jurassic Park (que hoje é um filme igualmente jurássico) e ficam tarados por dinossauros? Então, ele deve ter ficado tarado, fazendo lutinhas de dinossauros no nosso planeta, e vendo os dinossauros passearem livres no pedregulho azul. Até que ele achou que não gostava daquilo - os dinossauros não podiam jogar futebol! - e ele arranjou uma pedrinha, jogou no planeta e assassinou os dinos. E inventou a raça humana. Agora, sim, uma raça divertida. Deus ajudou os humanos a serem mais legais inventando o bêbado (lembram-se?), porque ele também queria se divertir com o bêbado.
E depois de ele ter visto que as coisas iam razoavelmente bem na Terra, ele decidiu recostar-se em sua poltrona de couro sintético (Deus não mata animais para esse tipo de coisa) e assistir a vida na Terra. Sim, porque Deus, no fundo, é um noveleiro. Ele criou a gente porque queria assistir uma novela de qualidade (ou um reality show, o que preferirem), e então fez um decente, com bilhões de participantes. E, melhor ainda, é um reality show em que as pessoas não são eliminadas semana a semana - ao contrário, eles se multiplicam! Somos 6 bilhões e meio, e subindo! E agora ele pode assistir ao seu programa em sua poltrona, com seus amigos anjos, seu filhão Jesus "Jeez" Cristo e outros notáveis caras daqui que vivem por lá, com o nosso vovô gente boa.

Ele é um cara tranquilão. Ele prefere não se intrometer na nossa vida, porque isso dá trabalho, e bagunça tudo. Imagina que você comanda, sozinho, um orfanato com quinhentas crianças, e elas começam a brigar entre si. O melhor a fazer é assistir pra ver no que vai dar. É isso que Deus faz. Mas ele tinha isso em mente desde o início! E ele fica realmente feliz em ver que a gente está se divertindo aqui embaixo.
Que mais? Ele gosta de futebol - claro, senão não teria deixado o futebol ser o esporte mais famoso do mundo - e assiste sempre que pode. E ele fica realmente feliz em ver a Copa do Mundo dando certo. Aliás, acredito que ele esteja feliz em ver que a Copa de 2014 seja no Brasil. Ele gosta do Brasil, claro. O Brasil, pra ele, é como um aluno preguiçoso que não tem jeito, não tem futuro, sabe? Todo mundo ri na aula dele, ele faz boas piadas, ele tem potencial, os professores gostam dele. Um cara legal. Mas é um preguiçoso fanfarrão :B
Ele também gosta de golfe, porque é esporte de velho rico (e, cá entre nós, teoricamente falando ele pode ser tão rico quanto quiser ser), e assiste filmes clássicos e filmes hollywoodianos toscos em que todo mundo morre nas mãos do Rambo. Ele se diverte com Lego, que, segundo ele mesmo disse, foi a melhor idéia da humanidade desde a eletricidade, e foi por isso que ele fez da Escandinávia um lugar rico e próspero (se você não sabe, o Lego foi inventado na Dinamarca em 1934, e a Dinamarca faz parte da Escandinávia).

No geral, Deus é um vovô gente boa. Animado, que gosta da maior invenção dele, a simpática raça humana. Ele manja tudo de Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Programação, História Geral Mundial, Geologia, Geografia e Geopolítica, e fala aproximadamente todos os idiomas do mundo (ele não entende o Português Carioca; ele não gosta do som chiado). Ele é piadista, gosta de se divertir, tira férias freqüentemente para conhecer o seu planeta, tem uma cidade de Lego em miniatura que ele mesmo fez, gosta de cozinhar e é o único ser inteligente fora dos Estados Unidos que entende o beisebol.
Ele também é muito simpático, gosta de ouvir os filhos dele (nós! \o/) e é bastante tolerante e ponderado. Ele é mais um vovô do que um pai, sabe? E eu não acho que ele tenha feito um Inferno com labaredas e torturas e zás. Ele, no máximo, inventou um lugar que não tem chocolate e vídeo-game, o que é uma tortura muito ruim, a meu ver.

Acho que isso é mais ou menos o que eu acho que Deus, o Todo-Poderoso, é. O cara mais boa-pinta do Universo decidiu sentar-se e criar a novela mais incrementada da História. Fez uma sopa de bichinhos e inventou a vida. E se diverte toda noite assistindo a saga dos macaquinhos pelados, levando a vida deles numa boa. Ele ri do tosco, ainda gosta de explosões e fica orgulhoso sempre que vê um bêbado dando show em algum canto do mundo. Ah, vai, bem mais legal viver em um mundo feito por um cara legal e animado do que por um ditadorzinho latino-americano que acha que aqui é o país dele porque Deus quis - mesmo porque ele é Deus, mesmo.
Não é à toa que as Igrejas vivem perdendo fiéis. Ficam aterrorizando os caras, ensinando eles que Deus é implacável como Chuck Norris.

Agora, se é verdade, e Chuck Norris for mesmo Deus, então ferrou. Desconsiderem essa postagem. :D

Ouvindo:
Everybody Knows You Cried Last Night
The Fratellis
Costello Music (2006)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Minhas Memórias dos Meus Blogs

Festa! Festa! Ritmo de Festa! Aê!!

Olá, gente animada! Hoje é dia 13 de Dezembro! E sabem o que significa? Meu blog acaba de completar um ano de vida! Alegria, alegria! Aêê!
Já que é dia especial, acho justo escrever um post neste dia, pra comemorar (arriba!) e pra atualizar, também. Afinal, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa! Que cafona :P

Ano II, Postagem #60
Minhas Memórias dos Meus Blogs

Não me lembro direito a primeira vez em que eu pensei "vou criar um blog". Não me lembro, tampouco, do ano, do mês ou do dia. Eu era uma espivetada criança (eu nunca fui espivetado, entretanto, mas eu gosto dessa palavra, de modo que ela fica aí) entre os 14 e os 15 anos. E, na época, era comum as pessoas terem blogs. Ou, melhor dizendo, bligs (blogs do iG). Aliás, me recordo que haviam aqueles que chamavam qualquer blog de blig, inclusive aqueles que não estavam hospedados no iG. É como chamar qualquer refrigerante de Coca-Cola. Mas eu achava revoltante e injusto com os outros serviços de hospedagem de weblogs, tadinhos.
Seja como for, eu estava com alguma macaca azul muito fedida naquele dia, e achei por bem fazer um blog no blig. Há duas coisas a respeito deste blog do blig que me recordo: o nome cafoníssimo de "Ó nóis aki traveiz", ou algo parecido (sim, espantem-se, eu já tive meus momentos de pré-miguxismo); e o conteúdo, que era nada de aproveitável. Eu escrevia bobagens aleatórias. Ah, também lembro do lay-out dele: era do São Paulo FC, com o escudo do Tricolor Mais Querido ao lado. Sempre tive bom-gosto pra esse tipo de coisa. =D
Tão bom era o blog do Blig que eu tinha que eu não me lembro de nada mais detalhado, como o endereço, data da criação, circunstâncias da criação, dia em que eu o abandonei, o que eu escrevia... Nada de nada. Lamentável, não? Bom, talvez não. Talvez seja tão ruim que é melhor ficar no limbo da internet do passado. Eu devia ser um blogueiro bastante ruim, comparado a hoje (como se hoje eu fosse Fernando Pessoa). :P

O que eu me lembro de legal dos blogs daquela época era que era uma novidade e tanto na terra brasilis. E quem acessava este tipo de novidades eram os adolescentes (ou, melhor dizendo, os pré-adolescentes). E foi por causa disso que nasceram os blogs genéricos femininos, que eram abismalmente iguais uns aos outros - perdoe-me se o leitor for uma das autoras da época, mas hoje que você é esclarecida, haverá de concordar comigo. Todos eram rosas, todos eram brilhantes, todos eram fofos e ridículos. Ainda mais para um garoto, como eu. ^^
Lembro que as garotas, invariavelmente, escreviam detalhes suuuuper-emocionantes (woop-dee-doo) dos cotidianos delas. De como elas tinham feito coisas e não tinham feito, e essas coisas. Como naquela época era novidade, não havia a frescura que se vê nos fotologs de hoje de "estou com preguiça de postar, então só posto a foto". Mesmo porque postar uma foto em um blog era coisa para fazer um doutorado. Então os blogs eram razoavelmente iguais entre si, e as postagens de um dia pra outro também eram. Havia também alguns garotos que faziam a mesma coisa. Os assuntos eram diferentes dos femininos, eles escolhiam mais cores, além do rosa e do azul-bebê, mas era sempre tudo a mesma coisa. Parecia suruba de japonês. Hohohoho...
Acho que este sempre foi o motivo de querer fazer um blog diferente. Eu gostava de ser o piadista, e nunca gostei de falar sério. Ainda mais sobre a minha própria vida. Então eu fazia posts sobre nada em especial. Claro, depois de alguns anos viriam blogs profissionais, como os Kibeloco e os Chongas da vida. Mas eu era um pioneiro :P

Seja como for, depois que eu abandonei o blog do Blig (que tem um nome tão cafona que nem gosto de escrevê-lo), fiquei alguns meses fora do mundo dos blogs. Nestes meses ausente eu via pessoas comentando em revistas e jornais e em páginas da internet sobre a revolução dos blogs. E eu visitava blogs e achava legal. Em um belo dia de domingo (eu adoro domingos - talvez por eu ter nascido em um ^^) eu decidi conhecer o Blogger.com.br., e fundei O Mal do Século.
Conforme eu expliquei dezenas de vezes, eu não sei porque eu escolhi este nome, e só me lembrei bem mais tarde que Mal do Século era a tal da geração do Romantismo brasileiro, que tinha um monte de emos querendo espalhar a angústia deles pelo mundo e se matar. O porquê de eu ter pego um nome com este estigma permanece um mistério, mas foi o que fiz. Lembro somente que criei O Mal do Século. Ele era bem melhor que o antecessor do Blig. O blog era mais editável, as opções eram mais amplas, e o autor estava mais maduro - bom, nem tanto. Mas eu me recordo de ter arrancado alguns elogios e risadas, conforme eu mostrava pros meus amigos. Como um ser humano qualquer, eu me irradiava de orgulho ao saber que meu blog era simpático, e eu tratei de postar nele mais vezes.

A história dO Mal do Século foi bem mais diferente, conforme vocês podem notar. Primeiro que, mesmo sendo um nome cafona, eu não tenho vergonha de dizê-lo (ao contrário, é divertido!), e ele ficou mais famoso, mais garboso, mais elegante. Não, não tão elegante, mas estava mais apresentável. Por um breve momento, fiz alguns contatos por causa dele, tornei ele semi-famoso no meu círculo social... Não é a mesma coisa que você faz quando compra um carro novo, é como se você comprasse a coleção inteira de bonecos do Star Wars. Você não sai contando pra todo mundo, com medo de te chamarem de nerd sem vida. Você só conta pros esquisitos como você. E era mais ou menos o que eu fazia. Se saísse dizendo "Oi, eu tenho um blog chamado 'O Mal do Século', quer visitar?", eu muito provavelmente teria uma vida social bastante prejudicada. Parece uma cantada de perdedor :P
Mesmo assim, ele era famoso. Eu, invariavelmente, entrava no meu blog para ver se havia algum comentário novo (naquela época era moda comentar nos blogs que você visitava, também), e naquela época eu até respondia os comentários! Com um outro comentário, logo acima do original! É, era bastante esquisito. Ou, como dizem hoje em dia, era "alternativo". Eu também empurrava amigos para visitar meu blog para lerem e comentarem e me dizerem o que achavam. Eu acho que eu era chato.
Seja como for, cuidei dO Mal do Século por 3 longos anos. Postei textos enormes, imagens divertidas, piadas sem-graça, tive alegrias e frustrações (sniff). Lembro que depois do segundo ano do blog eu fechei ele por algum tempo. Que burrice a minha...

Na época dO Mal do Século (isto é, entre 2003 e 2006), muita coisa aconteceu de diferente na internet. De início, me recordo que o modelo do blog estava em decadência na época, e antes do primeiro ano de vida do meu segundo blog, quase nenhum dos meus amigos tinham blogs. Haviam migrado para os fotologs, ou flogs, que eram substancialmente mais fáceis de se gerir, e ainda tinham fotos! Na minha opinião preconceituosa, entretanto, eu achava os flogs chatos e sem graça, porque as pessoas só iam pra ver as fotos. E eu gostava de ler as coisas. Mas todo mundo tinha preguiça de ler coisas (ainda mais quando eram posts do tipo "Ah, hoje não fiz nada de especial. Fui pra escola, cochilei e fiz minha lição de casa. Amanhã vou no cinema e na sorveteria. Será que o filme que quero ver é bom? Beijos"), e então as pessoas achavam flogs fáceis - só precisa ver a foto e comentar coisas genéricas, como "nossa, como você está bonita!". Fácil pra todo mundo! Mas eu era contra a maré, e mantive meu blog. Lembro que eu dizia aos outros que tinha um blog, e diziam que não gostavam de blogs, porque tinham preguiça de ler textos. Esse é o Brasil do futuro! ==b
Depois da fúria por fotologs, outra mania desembarcou forte no país de chuteiras: o tal do turco louco e seu orkut. O site era uma cruza louca de fóruns com páginas pessoas e álbum de fotografias e etcétera. As pessoas, agora, mantinham sua vida social eletrônica (e ainda mantém, por enquanto) nas comunidades do orkut. Antigamente, eram comunidades comportadas. Hoje em dia, comunidades completamente estapafúrdias e divertidas. O mundo dos blogs foi varrido para a obscuridão, e os flogs eram artigos de luxo - quem tinha flog era porque tinha tanta foto linda que não cabia nas 12 fotos que o turco louco liberava. Foi então que abandonei, por breves instantes, o meu segundo blog.
Após 2005 que os blogs que todos conhecem ficaram famosos, como os que já mencionei. A medida que voltei com o meu, vi que alguns amigos também mantinham os seus, e que blogs famosos ficavam cada vez mais famosos. O mundo dos blogs voltava! E eu voltei com o meu blog. Por mais um ano, aproximadamente.

E aí veio o Blogger.com, do Google. Depois de eu sentir uma pontinha de inveja a respeito dos blogs do Google, frente aos do Globo.com, fechei O Mal do Século, e fundei este, o Inominativo. Há um ano atrás, exatamente. Não sei se vocês sabem - está escrito lá no alto, embaixo do nome do blog - que "Inominativo" veio da minha falta de criatividade. Vejam vocês, eu estava pensando como batizar este blog. O Mal do Século já existia nos blogs do Google. Era um blog inativo, mas já existia, não poderia pegá-lo. Então, olhando para a caixinha do nome do blog vazia, pensei que o blog ficaria inominável. Eu devia estar bêbado de guaraná, porque pensei em Inominativo, gostei do nome e o mantive.
Aliás, explico-lhes, também, o motivo do título do meu primeiro post aqui ser "Três Ponto Zero" (podem ir conferir, pra quem não se lembra). Porque naquele momento eu fundava meu terceiro blog. Começava do zero, novinho, belo, agradável. Assim como na transição do primeiro pro segundo, notei que eu havia amadurecido, que os posts eram melhores escritos, os comentários eram mais pertinentes. Enfim, o blog era, em um certo ponto de vista, melhor.

E hoje o Inominativo completa seu primeiro ano, seu sexagésimo post. Notei que tenho muitas visitas, principalmente de pessoas que fazem buscas no Google e abrem meu blog achando que eu tenha alguma resposta pertinente, e por isso coloquei uma caixa de texto explicando que o Inominativo tem a mesma seriedade de um programa do Casseta e Planeta, com a diferença que eu não tenho uma apresentadora peituda!
Notei, também, que muitos gostam do meu blog. E se não gostam, são ótimos mentirosos, e deveriam considerar a política ou a diplomacia. Seja como for, agradeço pelas respostas positivas. Agradeço inclusive a você, que não leu nenhuma palavra deste blog. Nah, pensando bem, não agradeço não, vá se danar. Mas pra você que está lendo, fique a par - este blog é dedicado a você =)
Por fim, notei que gosto muito de blogar. Me falta tempo, me falta assunto, me falta vontade. Mas quando eu crio um texto e posto ele e anuncio ao mundo que tenho um texto novo, eu fico orgulhoso pra caramba. É uma sensação maravilhosa. Então, no que depender de mim, terei um blog por muitos e muitos anos. Até que eu encha o saco e funde o quarto, talvez. Até lá, finjamos que o Inominativo é eterno. E que esse é o primeiro ano de muitos! Aê!

Feliz Aniversário, Inominativo!

Ouvindo:
For the Girl
the Fratellis
Costello Music (2006)

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Horário de Verão: Consideração Histórica

Boa tarde, macacada animada! Como vai indo o mês de Outubro? Bem, espero =D

O mês de Outubro estava indo muito bem pra mim, obrigado. Até diabos inventarem de adiantar os relógios em uma hora. Idéia de jerico. Agora eu, que já podia me gabar de dormir várias horas por dia, vou ter de acordar uma hora mais cedo. Tá, tudo bem, seu chato, você pode me lembrar que eu vou dormir uma hora mais cedo, também, mas quem disse que eu consigo pegar no sono uma hora mais cedo? Sem conversa. Eu só fico com sono no horário de sempre. Será um loooongo verão, esse...

O que me faz pensar que isso pode ser fruto para uma boa postagem. Ou não, vai saber. Leia e me diga o que você acha, oka?

Horário de Verão: Consideração Histórica

O Horário de Verão, como vocês devem sabiamente deduzir, não é invenção recente. Alguns filmes e seriados - principalmente os que relembram a história dos vizinhos do norte, os Estados Unidos - costumam contar como os americanos tiveram a sagaz idéia de criar o Horário de Verão para poupar energia elétrica. Agora, por exemplo, me vem à cabeça o agradável filme A Lenda do Tesouro Perdido, estrelado por Nicholas Cage, em que eles falam qualquer coisa sobre Benjamin Franklin ter instituído o horário de verão, o espertinho. O que eles pouco sabem, pobrezinhos, é que o horário de verão é bem mais antigo do que Ben Franklin e sua maravilhosa pipa que dá choque. Na verdade, essa história toda é mais antiga do que os próprios americanos. É que os americanos estavam ocupados demais notando a beleza do umbigo deles pra prestar atenção nesse tipo de coisa. Mas, sim, o Horário de Verão não é nada moderno, pretensão nossa. A ver, por exemplo, os antepassados nossos da Europa, os romanos.

Os romanos eram pessoas felizes. Guerreavam, matavam, usavam togas de mal-gosto e mandavam em metade da Europa. Eles se divertiam falando pomposamente e dando nomes esquisitos aos seus cidadãos, e inventando moda e mandando todo mundo seguir a moda deles. Vocês vão se lembrar, é claro, de quando eu falei aqui a respeito do mês de Agosto, que foi uma moda inventada pelo Imperador Augustus, e que na verdade não foi inventado, foi copiado da moda inventada pelo Ditador Julius Caesar e seu mês de Julho. É, mas não era só o calendário que eles gostavam de ficar criando, não. Esses guris também se divertiam inventando idiomas, religiões, roupas e horários (na maior parte das vezes, na verdade, eles copiavam das nações conquistadas, mas como ninguém mandou a nação ser conquistada, então os romanos estão com a razão). E o que nos apetece aqui era o horário. Vejam só: eles precisavam medir mais ou menos a passagem do tempo, mas o relógio digital só vai ser inventado no século XX - isso é uns dois mil anos depois deles. E também não adiantava se guiar pelo achômetro ("Ah, acho que já tá bom o suficiente", e o porco que estava no fogo virou carvão). Então, eles tentavam bolar planos maquiavélicos de se contar o tempo que passava - ainda que Maquiavel também só viesse bem mais tarde.
A idéia retirada debaixo da toga deles (écat) foi até que engenhosa e, segundo contam os fofoqueiros da Caras, copiada dos egípcios, que tinham um modelito ar-ra-sa-doooor para o próximo verão. Os romanos pegavam o intervalo entre o instante em que o sol nascia, o instante em que o sol se punha, e dividiam por doze! A razão do doze é que naquela época todo mundo tinha seis dedos em cada mão, então era mais fácil contar até doze. A peste negra iria decepar o sexto dedo de todo mundo, eventualmente. Menos da Daniella Cicarelli. =D
Seja como for, dividiram o dia matutino em doze partes. "E eu com isso?" você me pergunta. É para explicar que, sem querer, os romanos inventavam um prólogo do Horário de Verão. É que, no verão, os dias são mais longos, certo? Então o sol nasce mais cedo e se põe mais tarde. Como as horas eram baseadas no nascer e no pôr do sol, então elas duravam mais horas! No inverno, uma hora simples durava em torno de 44 minutos modernos, ao passo que, no solstício de verão, uma hora durava quase 75 minutos! Viu como eles aproveitavam bem o dia deles? Não é à toa que esses sagazes homens de toguinha mandavam e desmandavam na Europa.

Bom, eventualmente, os bárbaros invadiram Roma, tocaram o terror, chutaram os regentes romanos e redecoraram o Velho Continente com um toque mais rústico. Veio a Era das Trevas na Europa. Outras civilizações ainda mais exóticas do que os romanos inventaram outras maneiras tortas de se contar as horas. Mas foi quando chegamos, aí, ao século XVII e XVIII que a história das horas mudam.
Foi por volta dessa época que os novos manda-chuvas da Europa decidiram que se guiar pelo Sol não era, afinal, boa idéia. Eles começavam a construir as fábricas (all heil Capitalizm!!) e queriam obrigar os pobretas dos operários a trabalhar nas fábricas, independente de sol, chuva, granizo, dor nas costas e meningite aguda grave. Então pensaram nas horas em que estamos acostumados, em que a gente pega o dia inteiro e divide por 24. E aí, vejam vocês, a história do horário de verão à romana meio que desandou. Mesmo porque, a partir daqui, o nascer e o pôr do sol não vão significar mais meleca nenhuma. Você está de prova, querido amigo metropolita. Depois, veio os ingleses que inventaram os trilhos de trem, e de repente a Europa diminuiu. Paris e Roma eram quase cidades vizinhas, ligadas entre si por quilômetros de trilhos. Com esse frenesi, era de se esperar que os relógios passassem a ser importantes, pra que os horários de partida e chegada fossem levados a sério. Claro, aqui no Brasil a gente não tem a menor noção do que é "horário levado a sério". Mas os europeus não nasceram no Brasil, para azar deles, e vivem correndo atrás do relógio. Coitados.

O caso é que agora não tinha mais a malemolência de esticar o dia quando o verão chegasse, nem de encolher o infeliz quando a noite viesse. Os horários eram tediosamente iguais. Daí, quando chegava o verão (ah, o verão...), o sol nascia antes, mas ninguém notava isso pelo relógio. Ou seja, havia mais horas de sol claro! A manhã começava mais cedo!
Um inglês gente boa e amigo do povão notou isso, em um domingo de sol em algum ano entre o fim do século XIX e o século XX. Naquela época, relógios eram irritantemente comuns - tanto que Londres, a capital mundial da época, havia construído uma bonita torre com um relogiozão enorme no topo dela, pra lembrar os londrinos que era hora de voltar ao trabalho. Bom, esse inglês gente boa e amigo do povão, batizado William Willett, estava a assistir corrida de cavalos neste domingo de sol, em uma cidade de Kent, no norte da Inglaterra. Quando ele voltava da corrida, notou que muitos estavam dormindo, ainda, apesar do bonito sol de domingo. Ocorreu ao nobre anglo que isso devia ser porque as pessoas não acordavam quando o sol nascia mas, sim, quando dava 8 da manhã. E isso o incomodou: por que as pessoas estão perdendo um domingo tão bonito? E inventou o horário de verão, ou daylight saving time. Aliás, a Wikipédia acaba de me contar que William Wellet é tatataravô de Chris Martin, vocalista da banda também bretã Coldplay. Ê, família...

Bom, Wellet, que não era vocalista, teve lá a idéia. Dizia ele que isso faria as pessoas acordarem mais cedo, a aproveitar mais o sol, a serem mais saudáveis e, finalmente, isso iria ajudar a economizar energia. Ele tentou passar pra frente, mas não rolou. Ele fez uma propaganda violenta, mas também não rolou. Um membro do Parlamento britânico viu um panfleto, gostou da idéia, tentou uma moção, mas também não rolou. Então outro parlamentar, o futuro Primeiro Ministro Winston Churchill, também achou uma idéia supimpa, mas não rolou.
Até que veio a Primeira Guerra Mundial, e a Europa viu-se dependendo de carvão. Muuuito carvão. Pra torrar em canhões, em trens, em fábricas, whatever. E os alemães acharam essa idéia muito boa!, e instituíram na Alemanha - que estava brigando contra a Inglaterra, caso você tenha faltado nessa aula. Os ingleses viram, afinal, que era hora de ouvir o nosso amigo e, em 1916, passaram a moção do Horário de Verão! Aêw!
Mas William Wellett havia morrido no ano anterior, de modo que ele não ficou rico com isso. É, nem todo inglês com boas idéias vive tempo suficiente para enriquecer.
Aqui no Brasil-il-il, o Presidente, nanico nas horas vagas e aspirante a ditador militar Getúlio "Gordinho" Vargas achou legal a idéia, e a instaurou no verão de 1931. Ela era meio aleatória, porque não era sempre que Gordinho Vargas assinava, e não era sempre que os outros presidentes passavam a idéia, também. O negócio aqui só ficou sério em 1985, quando desde lá todos os anos a gente tem horário de verão. Isso, é claro, se você não está no Nordeste, bichim. Que se você estiver, bem, esse post só lhe serviu de cultura altamente inútil. Bem como o resto do blog, então deixa pra lá.

Resumo da ópera: em um dia de domingo de sol, um inglês achou que as pessoas dormiam demais, conversou com uns amigos, descobriu que adiantar os relógios iria salvar a economia da Inglaterra e, acima de tudo isso, obrigar os preguiçosos a acordar uma hora mais cedo. Ele convenceu um continente inteiro de que isso funcionaria porque eles gastariam menos carvão na guerra. E ele acabou sendo lembrado como um homem engenhoso em um país que parece que só nascem gênios.
Na minha opinião, entretanto, William Willett podia até ser um cara legal. Mas ficou claro que eles se incomodou porque os caras dormiam até tarde em um domingo, e decidiu jogar água no chopp dos ingleses que aproveitavam o domingo porque, afinal, nos outros seis dias eles acordavam quando o sol ainda estava no Japão. Ele foi ao Governo e conseguiu uma lei obrigando os preguiçosos a acordar mais cedo, só porque ele achava melhor para o mundo.
Como eu me vejo do lado dos preguiçosos, eu digo: vá catar coquinhos, Willett. Que custava deixar os outros dormir em paz? Sorte sua que você já está morto e que seu tatataraneto é gente boa. Senão eu me veria no direito de te amaldiçoar até você ir para o Inferno, se é que você não está lá.

Feliz Horário de Verão pra vocês, eu acho. Já já é verão. =D

Ouvindo:
Friday-Friday
Boy Kill Boy
Civilian (2006)

domingo, 30 de setembro de 2007

Quando o Relógio Não Colabora

Olá, pessoas! Feliz fim de Setembro para vocês! Aê!! \o/

Sim, eu sei, faz tempo que não atualizo. Doze dias, para sermos exatos. Não pensemos em coisas negativas, though. Vamos pensar em coisas positivas, porque eu preciso de uma idéia para o meu blog! Então vejamos o que sai da cabeça do autor que, vocês já sabem, não tem lá muito de útil. Ainda mais quando ele não está com nenhum pingo de imaginação. Uh.

Quando o Relógio Não Colabora

Imagine um ambiente maçante. Digamos, uma sala de aula. Mas não uma aula qualquer. Uma aula enfadonha de uma matéria odiosamente tediosa com um professor inescrupulosamente tedioso e enfadonho. O tipo de aula que faz atiçar em você seus sentimentos mais suicidas e revoltados. Você começa disposto a prestar atenção na aula. Depois de alguns minutos você se lembra porque odeia aquela aula e porque sorri gostosamente quando imagina o professor correndo em chamas, gritando de terror. Sim, você odeia a aula. E cansou de prestar atenção nela, ué. Você dá aquela rabiscadinha na carteira, faz uns bigodinhos nas fotografias do livro-texto, conta algumas piadinhas. Depois do que parece umas duas horas de pura tortura letiva, você resolve consultar seu relógio de pulso, a certificar-se de que faltam, afinal, poucos minutos de terror. E, para seu espanto, descobre que o relógio andou miseráveis doze minutos. E você ainda tem outros 88 minutos de sofrimento gratuito em aula. É, o tempo é um safadinho.
Einstein, o sabe-tudo da Alemanha, sabia que estava no caminho certo quando postulou que tudo é relativo. E quando você aprendeu isso, não aprendeu junto que isso valia para a sua simples vidinha cotidiana, certo? Você aprendeu na marra que o tempo é inescrupuloso, e ele foi inventado por alguém (Deus, talvez?) com a única e exclusiva missão de torturar a sua existência. É um fanfarrão, esta entidade infeliz, o tempo.

No nosso causo anterior, você está lá, crente de que você está pelo menos duas horas ouvindo aquele blá-blá-blá interminável. O relógio acusa, entretanto, que foram somente doze minutos. Você olha para ele incrédulo. Não é possível!! Você olha para o lado, para seu colega, que está no mesmo estado de torpor em que você se encontrava até agora há pouco, até descobrir a farsa do seu relógio. Em silêncio, se comunicam: "Cara, no seu relógio também só se passaram doze minutos?". Ele acorda da hibernação dele e olha pro relógio. E o espanto dele é idêntico ao seu. Ele te olha, também incrédulo. Não é possível! Um momento de pânico. Uma nova consulta, e só se passou mais um minuto. E os dois se frustram. Cada um volta ao seu mundo de isolamento do resto do planeta, para aguardar mais algumas horas de tortura.
Está vendo a Teoria da Relatividade em ação? Pra você, horas de sofrimento e desgosto. O tempo, entretanto, disse que só andou doze minutos. E cale a boca quem discorda! O tempo é inescrupuloso, amigos. A função dele é prolongar nossos sofrimentos, e encurtar nossas diversões. Por quê? Não sei. O mundo seria um lugar muito mais agradável, muito mais divertido e muito melhor se o tempo nos ajudasse. Teríamos menos guerras, menos violência, menos famintos e estaríamos mais próximos da paz mundial. Mas eu já havia dito, em outra postagem, que Deus, o nosso Simpático Todo-Poderoso, gosta de se divertir quando assiste a sua criação (nós mesmos) andando por aí, no nosso pedregulho azul. Foi por esse motivo que ele criou a cevada, lembram-se? Então. Creio eu que deve ter sido por este mesmo motivo que ele decidiu que o tempo deveria ser um grande sacana. Diversão própria, claro.

Quer outro exemplo de como o tempo é safadinho? Em vez de uma aula "amável", vamos para, hmmm... uma partida de truco no seu intervalo. Eu, por exemplo, costumo ter, aí, uns vinte minutos de intervalo para ganhar uma partida. Esse é o tipo de evento em que o relógio pode se demorar o quaaaaanto quiser. Só que até você acertar o lugar e fazer todo mundo se sentar para começar a partida, os vinte minutos já se esgotaram faz tempo. Mais uma vez, incrédulo, você consulta seu relógio. Não é possível!, você diz, enquanto todos estão se levantando para voltar à tortura nossa de cada dia. O pouco tempo de felicidade que nos sobrou foi gasto, já. E você podia jurar que não se passaram nem três minutos!! Vencido, você se vê obrigado a voltar para a sala de aula. Bogus.
Dentro da aula, bueno, a história é razoavelmente a mesma que já vimos. Você olha pro relógio depois de uma hora e só se passou 5 minutos. Daí você sai, vai ao banheiro, relaxa, bebe uma agüinha, faz uma social com quem estiver andando por aí... E volta pra aula. Só se passaram mais 5 minutos.

Não dá pra entender qual é a do tempo. Porque ele gosta de ser este desagradável. E não é só na escola que isso acontece! Nããão, meu bom homem. Isso acontece também, por exemplo, quando você dorme mais cinco minutinhos, e acorda meia hora atrasado. Quando você perde o busão e pensa: "Bah, o próximo chega em dez minutinhos" e você chega quase uma hora atrasado no destino. Ou quando você está esperando na fila do Playcenter, e depois de quase 4 horas você só ficou dez minutos aguardando... Não adianta espernear, processar alguém, ameaçar de morte, dar chilique, dizer que é injusto. Sim, é injusto. E você não pode fazer nada a respeito. O negócio, diria a ex-prefeita, ministra do turismo e perua socialite nas horas vagas: "relaxa e goza", meu guri. Aproveita a fila do Playcenter pra botar as piadinhas em dia, aproveita que perdeu o ônibus e compra umas palavras cruzadas pra fazer, aproveita que você já se atrasou meia hora e se atrasa uma hora inteira, pra arredondar... Pense sempre com o copo meio cheio!
E dê um jeito de aproveitar esse lapso do tempo. Veja, por exemplo, você na aula chata. Aproveita que o tempo demooooora pra passar e faça alguma lição de casa! Se o tempo demorar a passar, você terá tempo o suficiente para fazer o exercício. E se ele, sabendo que você precisa de bastante tempo pra fazer o exercício, resolve ir rápido, melhor ainda: a aula termina mais rápida!

Sempre tem um jeitinho brasileiro pra essa vida. Até quando é uma lei física inexorável pensada por um alemão CDF. Esse país tem futuro, meu bom leitor. Ou não, vai que o tempo demooooora a passar até o futuro... :P
E eu não posso terminar esse post sem dizer a máxima: "A duração de um minuto é muito relativa. Depende de que lado da porta do banheiro você está".

E, por favor, me perdoem pela demora. Vou me esforçar mais para manter o blog sempre em dia. Até a próxima postagem, galera! Até Outubro! Obrigado pela preferência!

Ouvindo:
Everybody's Changing
Keane
Hopes and Fears (2004)

terça-feira, 18 de setembro de 2007

Celular Pra Quê?

Eaê, galera? Todo mundo contente com a longeva vida deste blog? Mas ah, deixem disso, só estou me aquecendo! Hoje é dia de mais uma postagem, macacada!! Aê!
A minha idéia era atualizar no domingo, mas a correria somada com a ausência de idéias minou minha intenção. Como ontem eu pensei em algo e só pude sentar no pc hoje, vou postar rapidão, porque tenho que tocar a minha vida. Simbora, macacada!

Celular Pra Quê?
Insight sobre o que diabos é um celular

A história da telefonia vai longe. Tudo começou com Alexander "Alê" Graham Bell, inventor escocês, que foi parar nos Estados Unidos por algum evento aleatório no espaço-tempo. Consta que Alê estava meio de pernar pro ar, sem muito o que fazer na terra ianque. Sabe como é, aquelas cidades pequenas e monótonas são realmente chatas, não têm nada demais. E nosso menino Alê, levado que só, queria tocar o terror por lá. Sacanear o padeiro, o leiteiro, o dono do bar... Eis que, em um dia de muito sol e poucos afazeres, Alexander Graham Bell inventa o passador de trotes! A mulher dele, que era surda, não gostou da sonoridade do nome, e sugeriu o prático e erudito "telefone" (cá entre nós, como uma mulher surda pode julgar a sonoridade de algo é motivo de estudos profissionais).
Mas tudo bem. Para Graham Bell, a funcionalidade seria a mesma. Acompanhe o raciocínio: Graham Bell disfarça o aparelho como um revolucionário sistema de comunicação entre as pessoas, e diz que todos deveriam ter em casa. Yay! O padeiro, achando que seria uma ótima maneira de falar com seus clientes e seus fornecedores, instala um passador de trote - ou um telefone - em sua padaria, e aguarda a ligação, feliz. Em igual passo, o leiteiro e o dono do bar, bem como metade da população da pequena cidade em que Alê estava, e cujo nome eu ignoro. Alê, agora, pega seu passador de trote, disca para o padeiro, e manda o clássico: "é do circo?". Nascia o trote. =D

Muita coisa mudou desde que Alexander fez o padeiro ficar com cara de bobo. Infelizmente, o resto do mundo não entendeu a idéia lúdica de Alexander, e levaram o cara a sério demais. Passaram a comprar o telefone como algo útil de verdade, e usavam para se comunicar, uns com os outros. Pura perda de tempo. Daí a idéia foi inventar meios cada vez mais práticos de se utilizar esta coisa interessante que inventaram, o telefone. De repente, estavam usando o aparelho para comunicação entre a Inglaterra e os Estados Unidos, entre presidentes aliados, entre generais de guerra. O telefone foi realmente levado a sério. Namoros eram rompidos e reatados, reuniões eram marcadas, demissões eram feiras, cobranças eram negadas, tudo pelo telefone, um dos brinquedos de maior sucesso da história da humanidade. Tudo levava a crer que nunca mais usariam o telefone, a não ser para assuntos sérios.
Até que veio o telefone móvel. :D

Existe um protótipo de telefone sem fio, muito arcaico e em desuso, que teria sido patenteado em 1903. Durante a Segunda Guerra Mundial, usou-se aparelhos que se comunicavam através de dispositivos de radiotransmissão. Depois, pensaram na idéia de "células", que são as antenas que intermediam a conexão do seu aparelho sem fio à central telefônica. Daí, o nome telefone celular.
A idéia é muito simples. A central telefônica instala uma sede em uma cidade genérica. Peguemos uma cidade inexpressiva e pequena como, digamos, São Paulo. Depois da sede instalada, eles erguem diversas células, ou as antenas. E o seu telefone móvel recebe o sinal dela através de ondas de rádio, tipo a que você ouve pela freqüência modulada, ou a FM. Só que o telemóvel serve como um receptor e enviador (existe isso?) de sinais de rádio. Nifty, huh? E é assim que você consegue se comunicar com seu amigo que está no Jardim Lalonjão, bairro da perifa paulistana.

Agora, falava eu que o telefone, graças ao telemóvel, deixou de ser algo sério. Vamos entender o porquê. Olhemos para uma sociedade genérica de primeiro mundo com excesso de dinheiro. Até meados de 1980, os telefones eram comuns, mais ou menos. Todos tinham lá seus aparelhinhos em suas casas e em seus escritórios, e a moda do momento era o aparelho de fax, ou o facsimile. Facsimile que, aliás, é latim para "faça similar", ou "faça uma cópia". O aparelho de fax, pra vocês que não têm a menor noção do que é, é um telefone que manda documentos, pra que as empresas fodonas pudessem passar os contratos assinados sem pagar pelo office-boy. É bom ser fodão.
Bueno, uma das companhias de comunicação passou a espalhar, por uma cidade qualquer de uma dessas sociedades desenvolvidas, o modelo de célula que lhes expliquei, e passou a vender aparelhos de telefone móvel, os quais você pode usar em qualquer lugar sem se enrolar no fio. Nascia a popularização do telemóvel. Nos Estados Unidos, no Japão e nos países mais bacanas da Europa, a moda pegou fácil, e todo mundo que queria mostrar seu status superior andava com seu tijolão, falando alto no ponto de ônibus, ou de dentro do seu automóvel Audi A3, para todo mundo saber que o cabra tinha um telemóvel, e era alguém importante.

Passam-se os anos. Uns dez anos depois, essas sociedades evoluídas já banalizaram o aparelho, uma vez que as empresas se estapeiam para decidir quem vende mais telemóveis e quem lucra mais. A tecnologia se torna impressionante, e mais e mais pessoas querem ter celulares ainda menores e mais bonitos. Mas tudo deu uma guinada repentina quando um dos celulares abocanhou uma tecnologia de um aparelho-primo - o pager. Agora, os telemóveis podiam mandar mensagens. E (pasmem) receber mensagens também! A partir daí, meus amigos, a putaria... A putaria...
Depois do envio de mensagens por texto, os fabricantes de celulares passaram a investir em tecnologia inútil que, entre outros, nos trouxe a tela de LCD para que seu celular ficasse colorido! Eu ainda me lembro do dia em que eu vi um celular colorido passando na televisão, e fiquei pasmo. Colorido!! O carinha estava jogando um joguinho de corrida! No celular! Aquilo me chocou. Depois, celulares com telas maiores, maiores resoluções, e joguinhos ainda mais atraentes e divertidos. Alguns classicistas poderiam jogar o Snake DeLuxe, ou o BlackJack Plus, e os mais avançados podiam jogar Monopoly - a versão gringa de Banco Imobiliário - no telemóvel!
Anos depois, inventaram a câmera fotográfica que não usa filme fotossensível mas, sim, um sistema de captação digital de imagens. Veio a câmera digital! Foi um peido para que o telemóvel, que agora já podia baixar da internet papéis de parede, sons, vídeos e jogos, poder tirar fotos e gravar vídeos. Em poucos meses, milhares de aparelhos no mundo todo podiam registrar qualquer acontecimento visual com suas lentes e leitores digitais. Anos depois, a qualidade digital igualou com a de uma câmera digital de ofício, e as pessoas podem usar seus celulares para gravar uma partida inteira de futebol e esfregar a vitória do seu time, com o replay do golaço que o goleiro fez (hehe...) na cara do torcedor rival. Usam seus telemóveis para baixar o jogo dos Simpsons, o papel de parede da Britney Spears tomando um pileque, o vídeo do Jeremias Muito Louco, o toque do Super Mario World, e o que mais a sua vã imaginação ousar achar que possa existir.

Estão vendo o que estou falando? Alexander não estava lá muito satisfeito, pobre escocês frustrado. Ele queria que, na verdade, o telefone fosse um meio de fazer altas piadinhas com os desprevenidos. Mas depois de amargar uma centúria toda sendo um aparelho sério e exclusivo para a comunicação efetiva, o telemóvel passou a ser tudo, menos um meio de comunicação efetiva! Ninguém precisa atender uma ligação hoje em dia, ah, que que há... Você tem um celular para jogar cobrinha enquanto o ônibus não vem. Você conecta o fone de ouvido e ouve o diabos de MP3 que preferir. Você acessa o seu portal de internet e lê as últimas notícias. Conversa via MSN com seus amigos enquanto cabula a aula. Pra que, diabos, você quer atender seu telefone quando ele toca? Aliás, ele toca e você tem que parar o jogo, tem que parar de ouvir a música, desconectar da internet. Pô, meu, acorda! Vai me ligar no meu celular?? Você ainda deixa o celular tocando, porque você colocou como toque uma música que você ama, e quer ouvir até o refrão. Então não atende.
Então chegamos ao nosso título: celular pra quê? Telefone móvel? Telefone celular? Ledo engano, senhores. O negócio é fazer como as grandes empresas, que estão vendo que a tendência vai ser o pessoal esquecer que celulares são, em princípio, telefones, e chamar de outros nomes, como aparelho pessoal, handheld, e outras frescurites veadonhas. Ninguém mais usa celular pra ligação. Se você discorda, é porque você não vive em uma sociedade desenvolvida e endinheirada. Porque lá, colegas, nem a polícia usa mais telefonema. Em Nova York, os puliça de lá recebem as fotos dos crimes que você tirou com o seu aparelho. Ajuda, assim, a identificar o criminoso mais rápido! Você, como já falei, pode usar o MSN. Pode comprar o Windows Mobile, e usar seu celular como agenda de tarefas e de contatos. Celular pra quê? Com certeza, não pra ser um dispositivo sério de comunicação. Se muito, para você retirar do seu bolso, despretensiosamente, para mostrar para os outros o seu novo toque de celular quando, na verdade, sua intenção real é mostrar como você tem um celular foda. E como você é foda, junto.
Engulam essa, seus pobres. Meu celular não serve pra nada, só pra mostrar como eu sou importante.

E Alexander está sorrindo de seu túmulo. =D

Ouvindo:
You Could Have It So Much Better
Franz Ferdinand
You Could Have It So Much Better (2005)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007

Você Está Sendo Filmado

Muitos e muitos bons dias para vocês, galera! Estamos a nos aproximar, agora, do post número 50! Vejam vocês! Logo logo completaremos meia centena de textos. Rápido, não? Mas ainda não chegamos lá. Antes do 50, temos o 47, o 48 e o 49 para nos concentrarmos. E já estamos no quadragésimo sétimo! God, como eu escrevo bobagens! Se bem que, cá entre nós, vocês gostam, né? Eu sei que vocês gostam... :D

Vocês já devem estar acostumados com um pouco de lero-lero antes do tópico chegar. Dessa vez, alongar-me-ei um pouco. É que nesta agradável quinta-feira de sol e relativo calor (no meio do inverno - aquecimento global?) o planeta está em festa. Gabriela Marques, a Bié (cujo nome já foi citado neste blog, aliás, quando do meu post "O Dia em que Vendi Minha Alma", além de outras inúmeras vezes em que ela assinou os comentários dela para meus textos) comemora o fim do vigésimo ano dela. Agora ela escreve a idade dela com um simpático "2" na frente - tenho certeza que o "2" dela é bem redondinho e bonitinho - e pode se achar no direito de ser uma adulta chata. É, minha Gabriela, você envelheceu. E isso não é nada, espera só até você chegar aos 40.
Desimportando o número de anos, te desejo-te todas as felicidades do mundo, várias e várias vezes, Bié querida! Espero que você seja mais feliz hoje do que sempre, e amanhã mais ainda! Mantenha sempre seu sorriso encantador e seu coração de ouro. Felicidades pra ti. ^^

Vamos embora que o mundo continua rodando. Estava eu pensando dia destes como o mundo muda rápido. Ainda hei de descobrir se o mundo todo muda rápido ou se isso só aconteceu por aqui porque estávamos alcançando o resto do mundo, sei lá. Seja lá como for, o mundo muda. É o mundo modeno, alterando completamente a nossa noção de vida. A tecnologia, sempre ela, preenche os espaços que a religião, a moral e a ética deixaram vazios. Querem um exemplo? Se antes você não podia fazer algo feio porque Deus olhava, hoje em dia, com essa paganização da sociedade, tem gente até achando que Deus é cego. Mas se eles acham que só por causa disso podem fazer coisas feias, hehe, melhor pensar de novo.

SORRIA!
Você Está Sendo Filmado

Em épocas remotas, quando eu era um pequeno guri que me divertia a esmo nesta metrópole gigântica minha, eu entraria em um espaço fechado e, por isso, um pouco mais privado, e me sentiria um pouco mais à vontade. Vocês, como posso deduzir, sabem que andar por uma metrópole é meio desconfortável porque tem muitas pessoas andando pra lá e pra cá, e tem sempre alguém te observando. Então, suponhamos, você estava a fim de cutucar o nariz para arrancar de lá uma meleca - lembrem-se, eu era uma criança, adorava fazer isso - mas não podia fazer no meio da rua. Alguém poderia ver, claro. Já viu a estatística que comprova que sempre que você pára em um farol, o cara do lado está cutucando o nariz? Então, parece-me que ela é 93% precisa. A única maneira de você furar essa estatística é sendo o cara que cutuca o nariz, mas isso não vem ao caso.
Falava eu que ao entrar em um espaço fechado e mais privado, eu poderia me sentir mais à vontade. Estava pensando, por exemplo, em um elevador. Se o elevador estivesse vazio, eu poderia cutucar o nariz, arrumar minha cueca, dar uma penteada no cabelo, cantarolar uma musiquinha em voz alta sem parecer bobo... Um momento para você mesmo, se você me entende. Quase como se fosse o box do seu chuveiro, mas não é só uma vez por dia, e você não precisa sair de lá pelado e molhado. É, um momento para você mesmo...

Acontece que o mundo mudou. Hoje em dia, como eu falei, lá está a bobona da tecnologia por todas as partes. E um dos adventos mais bem usados da tecnologia é a vigilância. Em um belo dia, descobriram que a câmera de vídeo também servia pra bisbilhotar a vida dos outros, e instalaram uma câmera de vigilância em um daqueles halls de entradas de edifícios importantes. Eles queriam evitar roubos, assédios, mal-olhado, macumba e o Seu Barriga. A moda, infelizmente, pegou. Colocaram em corredores, em gavetas, em armários, em ônibus, em capacetes... E, naturalmente, em elevadores. Tarados.
E você com isso? Que desde então você não pode mais cutucar o nariz, arrumar sua cueca (ou sua calcinha), dar uma penteada no cabelo, cantarolar uma musiquinha sem ser visto por ninguém. Agora tem algum guardinha gordalhão comendo rosquinha em algum lugar do prédio e assistindo tudo o que está acontecendo na frente da lente da câmera. Mas que porra! Tiraram a graça de um elevador! Não pode nem brincar de apertar todos os botões que esses dedos-duros vão ver tudo e nos dedar.

Tudo isso, a gente sabe, é claro, é pra proteger o patrimônio das empresas e do Governo. Os vândalos corinthianos adoram arrancar lascas das posses dos outros, e sem essas câmeras não têm como fotografar os mano e botar os mano pra apodrecer no xilindró, manja? Pura e simples vigilância. Queremos proteger você do mal, dizem eles, achando que nos enganam. Audácia. O que acontece, na verdade, é que eles têm uma desculpa, agora, para nos assistir 24 horas por dia! Sim! Eles podem ver tuuuudinho o que fazemos, porque eles têm câmeras digitais high-tech com infrared e thermal goggling com ultrazoom e outros destes anglicismos que soam muito avançados.
Mas se você acha que isso é apenas uma tentativa de se proteger dos vândalos, bem, você errou. Não é apenas isso. Também é, mas não é só isso. Aqui, agora, que surge o grande truque por detrás disso tudo. Raciocinem comigo: em todos os ambientes vigiados, eles têm de avisar que estamos sendo vigiados, certo? Vocês podem até deduzir a frase que aparece, claro. O famoso "Sorria!". E quem está acima do sorria? Ééé... Ele mesmo... O Smiley que Tudo Vê... Eles está em todas as plaquinhas, todos os estabelecimentos, todos os cômodos... Te olhando com os olhos digitais... o.o
Como em um Big Brother, você está sendo observado por uma variedade de "Pedro Bial" em algum lugar do tempo espaço. A gente só não tem as loironas gostosas de biquíni pra cima e pra baixo, e nem vamos ganhar dinheiro fácil no fim, mas a idéia é a mesma. E estamos dando, claro, nossas informações confidenciais para o Smiley que Tudo Vê... *clima soturno*
De posse dessas informações macabras todas, eles agora podem nos chantagear, podem nos incriminar, podem fazer montagens no Photoshop à lá Kibe Loco... eles podem tudo. Podegóóóósas... E você não pode fazer nada, somente ser fiel ao Smiley que Tudo Vê. Se você tentar ser subsersivo, ele vai saber. Ou você acha que as pessoas morrem em acidentes de trânsito foram vítimas de acidentes? Tsc, tsc, tsc...

Isso quer dizer, sim, que você perdeu sua privacidade. É para o bem da humanidade, claro!, eles dizem. Somos seguros, agora! E somos mais integrados! Vejam vocês com o Google, por exemplo. Não temos a menor privacidade com o Google mas, pelo menos, os outros sabem o que queremos ao acessar nosso orkut. Perdemos algo em troca de algo que ganhamos. Mas e com essas câmeras? Ganhamos o quê? Segurança? Má que conversa de boiola...
O chato não é você ter perdido um pouco do seu refugo privativo. O chato é que como esses cabras colocam vigilância eletrônica em qualquer lugar em que um ser humano possa pensar estar, você passa a adquirir, subconscientemente, a constante sensação de estar sendo observado. Mesmo se você for um ateu que acha que Deus é invenção. Não importa onde você vá, tem alguém te observando...
Com a sua subconsciência sabendo que não é seguro sair por aí porque os outros estão te vendo, você fica acostumado! Um absurdo! Nos tiram a liberdade e ainda querem que nos acostumemos! Vamos ao banco pagar conta e tem o Smile que Tudo Vê. Vamos tirar um documento e lá está o Olho da Verdade. Vamos cutucar nosso nariz em um elevador e, audácia, a merda da câmera está nos filmando. Às vezes você não tem a noção de que ele pode ver, inclusive, a cor das nossas roupas de baixo? Ainda mais se você for um daqueles manos com aquela mania (completamente ridícula, em minha opinião) de mostrar suas ceroulas pra todo mundo.
Tão acostumado, aliás, que você até estranha quando não tem! Vejam vocês um exemplo do autor que lhes escreve. O edifício em que a companhia para a qual trabalho usa como sede administrativa tem 4 andares. Eu cumpro meus ofícios no primeiro andar, bloco A. De modo que é mais prático eu subir dois lances de escada para alcançar o primeiro andar e começar o meu dia. O setor de Recursos Humanos, entretanto, está no quarto andar, bloco B. Então no dia em que fui ao RH para acertar pendências, entrei no elevador, como sempre faço, e apertei o botão. Sem querer, soltei um leve arroto - leve o caramba, me senti um dragão - e, assustado, olhei pra câmera pra saber se tinha como a câmera ter visto o arroto, pelo ângulo em que ela estaria. Mas o elevador não tinha câmera!! Rapaz, aquilo me perturbou pra caramba. Quando o elevador parou no quarto andar eu saí rapidinho. E quando eu desci, fui pelas escadas. Lá estava um elevador rebelde, querendo se liberalizar contra a ditadura do Smiley que Tudo Vê. E que fique bem claro - quando descobrirem o elevador rebelde e o prenderem, não quero nunca que saibam que eu estive dentro dele. Eu sou inocente. Senão me prendem também por subversão. Dirão que eu tentei fugir do Smiley que Tudo Vê. E ninguém, ouviu bem? Ninguém foge do Smiley que Tudo Vê.

Fico por aqui, galera! Lembrando que não tenho nada pra lembrar! Então fico por aqui, galera! Até a próxima postagem!

Ouvindo:
Showdown
Boy Kill Boy
Civilian (2006)