sábado, 16 de fevereiro de 2008

Guilda dos Camelôs das Américas

Aloha, cidadãos! Depois de um tempo de pequenas férias, o Inominativo está pronto pra ferver! É hora de recolocar o disco na vitrola, de repor os doces na bomboniére, de reerguer o castelo de cartas, de... Ah, vocês entenderam. =D

Sabe, eu tenho tido problemas pra atualizar meu blog recentemente, porque eu nunca sei o que eu posso escrever. Eu tenho alguma idéia, daí eu chego no meio do post e descubro que não estou indo bem. O post não está dando liga, não vai ficar tão legal quanto eu imaginava, sei lá. E eu acho que pra um texto ficar bom, é importante que o autor do texto goste. Senão não dá, né? Então eu fico nessa crise, essa putice aê, e o blog fica às portas da falência. Isso é triste, né? Pois é. Então.

Esforçar-me-ei, entretanto, pra ver o que consigo fazer pra postar aqui pelo menos uma vez por semana, como antes fazia. Tudo isso é porque eu gosto de vocês. Mesmo mesmo. ^^

GUILDA DOS CAMELÔS DAS AMÉRICAS
Satisfação Garantida! Ou seu dinheiro jogado fora!

Ah, a globalização. Nada como viver em Luanda, a capital de Angola, e entrar na internet e mandar comprar um iPod original direto dos Estados Unidos, cuja fabricação foi taiwanesa e que entrou em Los Angeles por um cargueiro japonês depois de comprá-lo em Manila, nas Filipinas! Você pode comprar o que quiser, de onde quiser, quando quiser e como quiser! Não é fantástico? Não parece a solução pra fome e outras mazelas que há milênios afligem e corroem a civilização? Mas parece que o sonho de Adam Smith e outros liberais encontrou alguns obstáculos. Infelizmente, os governos malditos e vis decidem taxar, retaxar e recontrataxar todos os produtos que andam sobre seus solos e embarcam em seus portos e desembarcam em seus portos, e taxam e retaxam e recontrataxam. E as empresas, outras instituições perniciosas e carnívoras, decidem colocar seus logos sobre produtos malfeitos e cobram quase cinco vezes mais caros. Deturpadores do livre capitalismo! Bárbaros mongóis destruidores!
Felizmente, a sociedade em geral não dá a mínima pra teorias econômicas estapafúrdias e absurdas - e, tenho que registrar, isso me preocupa porque eu sou um economista - e as pessoas conseguem se ajustar decentemente seja qual for a crise. Se existe a taxação de imposto, nasce a sonegação! Se impedem o livre movimento de bens, nasce o contrabando! É o anti-capitalismo a favor do capitalismo! Ainda escreverei uma tese sobre isso.

Pense, agora, com os seus respectivos botões, camarada: se as empresas fabricam produtos mequetrefes e cobram caro só porque eles colocaram o nome da empresa no produto, porque não comprar um produto semelhante, só que sem o nome da empresa? Muitas pessoas tiveram essa impressionante idéia. Juntaram-se em comunhão, e fundaram fábricas. Fabricaram, então, bolsas que era muito parecido com uma Gucci legítima. Ou uma camisa que é igualzinha a do Santos, ou um tênis que você jura que já viu uma Nike daquele mesmo modelo... Mas o preço é estupidamente menor! Tudo isso porque a idônea companhia que fez a bolsa decidiu não colocar um nome famoso no produto. E você pode pagar menos!
E então, você vai até a barraca de protudos não-licenciados mais próxima (não-licenciado significa "não pagamos impostos" e, por isso, é ainda mais barato!) e pode comprar bens de consumo com o seu suado salário de escravo - ou sua mesada, depende do seu grau de inutilidade social - e usar seu produto! Melhor ainda, pode usar sem medo de ser roubado por causa da ganância dos outros em ter seus produtos tão queridos. O ladrão pode comprar um pra ele também...

Então, o contrabando de bens cresce. Fábricas clandestinas abrem a torto e a direito na China e em Taiwan, e desembarcam desesperadamente nos países menos abastados, como a nobre nação verde-amarela tupiniquim. E aqui, os produtos fazem imediato sucesso. Tanto que não tardou a nascer vários microempreendimentos em esquinas e em ruas autorizadas, de norte a sul. Barraquinhas que vendiam tudo o que seu dinheiro não compraria em shoppings e em lojas autorizadas. Só que tinha ainda mais coisas! Um mundo inteiro de curiosidades consumistas esperavam aqueles que eram bravos o bastante para desbravar a virgem mata do produto alternativo! Um viva aos bandeirantes da Vinte e Cinco de Março!

O clima de amizade e gastança desapareceu, entretanto, quase tão rápido quanto veio. A facilidade de se fazer dinheiro criou milhares de barracas, que competiam dia após dia alguns metros quadrados de calçada pra vender suas coisas. As pessoas se estapeavam, disputavam lugares, acordavam cada vez mais cedo pra guardar seu ponto de venda. Até que a situação ficou insuportável, e as brigas começaram a estourar pra valer. Socos, pedradas, tiroteiros para ver quem ia manter o maior número de clientes (que, a este momento, fugiam desesperados da confusão). Até que os camelôs decidiram, finalmente, se acordar, e criar maneiras (nada) legais para se organizarem e melhor atender o público brasileiro. Nasceu, assim, a Guilda Brasileira de Camelôs Licenciados!

Nascido em alguma metrópole brasileira no início da grandiosa década de 1990 (São Paulo, Rio de Janeiro e Salvador disputam o cargo de cidade-mãe da Guilda), a associação de foras-da-lei logo ganhou projeção regional, englobando diversos negócios em diversas frentes em diversos preços, com diversos vendedores qualificados. Radinhos de pilha, camisetas, CDs e DVDs, jogos, bolsas, tocadores de MP3... Com uma ampla variedade, a Guilda se associava e garantia o lucro da classe comerciante mesmo quando uma das vertentes estava má em lucros. E cada vez mais cidades eram abraçadas pela GBC, e cada vez mais produtos eram vendidos: guarda-chuvas, esteira de praia, binóculos, óculos de sol etc. Era um verdadeiro sucesso.
Posteriormente, veio o reconhecimento internacional e o acordo com outros países. Primeiro veio as Guianas, que importavam bens da Guilda. Depois, a Colômbia e a Bolívia. E quando a Guilda Brasileira pareceu que não ia dar conta do tamanho crescimento, se aliou e se fundiu com a Unión Paraguaya de Productos Legítimos. Agora, sim, nascia a Guilda de Camelôs das Américas! Com sede mundial em Asunción, sede nacional em São Paulo e investimento chinês (um grande investidor chinês comprou, recentemente, mais de 35% das ações corporativas da Guilda, e doou o prédio pra sede brasileira da firma), a Guilda dos Camelôs das Américas teve seu acervo rejuvenescido - todos já notaram os iPobres que vendem por aí, originais made in Taiwan, que fazem quase a mesma coisa que o original estadunidense; só falta funcionar! - seus negócios otimizados e sua abrangência expandida. Agora, com ação em mais de dezesseis países na América do Sul e Central, e com negociações para agir no México, no sul dos Estados Unidos e com a primeira loja em Angola, a Guilda está se tornando um dos maiores empreendimentos comerciais do mundo! E a menos de dez reais!

Então, criança, lembre-se: antes de ir às lojas, pagar caro por algo que você sabe que não vai usar direito, que não vai durar, que é só caro e não tem nada de útil, então passe antes em uma loja licenciada da Guilda dos Camelôs das Américas. Converse com nossos agentes autorizados e conclua: mais vale pagar mais barato por algo ruim do que pagar mais caro por algo nem tão bom assim.

Guilda dos Camelôs das Américas: porque original é pra frutinhas.

Ouvindo:
Direct Hit
Art Brut
It's a Bit Complicated (2007)

domingo, 27 de janeiro de 2008

O Complô Feminino pela Dominação Mundial

Olá de novo, gente! Bom estar de volta aqui!

É, eu sei, estou mais do que atrasado. Deve ter sido um recorde, este. Eu estou envergonhado, e peço desculpas. Mas não vou me demorar em inventar uma desculpa razoável, porque eu estou ficando cada vez pior em criar boas desculpas. Quando eu era criança, eu era sublime. Envelheci, though. Isso acontece.

Sem boiolices, vamos mais uma vez deixar a salada de lado e atacar o prato principal. Tá na mesa, pessoal!

O Complô Feminino pela Dominação Mundial

Quando a sociedade começou a se civilizar de vez, pouco depois da famosa Revolução Industrial, o mundo deu uma enveadada lascada. Quer dizer, até antes das máquinas resolverem trabalhar pelos humanos, a nossa raça sapiens sapiens vivia muito masculinamente. Os camponeses aravam terras, cuidavam de bois e porcos e galinhas, e eles ainda tinham que aprender a manejar uma arma, porque ninguém nunca sabia quando seu país seria invadido naquela época. A Europa era um continente em constante TPM, sabe?
Acontece que sempre tem um viadinho que estraga o mundo da masculinidade. Dessa vez, esse reino da testosterona e da exibição muscular foi traído por ninguém menos do que a Inglaterra, um dos países com maior concentração de homossexuais por metro quadrado (sad, but true). Os ingleses achavam que esse machismo era algo completamente irracional e animal, e eles decidiram, então, feminilizar o país deles. Inventaram as máquinas que desfiavam o algodão sozinhas, e que moíam o trigo sozinhas, e que carregavam enormes carros de trens totalmente sozinhas. E enquanto a máquina trabalhava sozinha, os nossos amigos lordes, já completamente enveadados, podiam jogar críquete, caçar raposas e discutir sobre sua mais nova luva de pelica, comprada na famosa loja de tecidos Smith & Smithsons, em Soho. Uma completa homossexualidade reprimida. É de dar pena. =/

Este post não é, entretanto, pra ofender a homossexualidade britânica. Primeiro, porque isso dá cadeia e eu não pretendo viver meus anos atrás das grades. Segundo, porque eu não tenho nada contra homos. Acho que eles são muito legais, porque um homossexual é um cara que nunca vai dar em cima da sua namorada - um amigão.
Este post falava da civilização depois da Era Industrial. Os sapiens sapiens agora são seres urbanos, que vivem em casas de alvenaria e dirigem automóveis. E, ah, eles não precisam colher nada da terra pra comer: os humanos ensinaram as máquinas a plantar, e eles compram as coisas do supermercado prontas, já feitas. A parte masculina do trabalho já estava feita. Só faltava a parte feminina, que era cozinhar e servir. É aqui que o bagulho acontece, guris. Notem os senhores, por favor, a relação que se forma nas entrelinhas da sociedade - pouco a pouco, tooooda a divisão de trabalhos estabelecida entre homens e mulheres por séculos e séculos e séculos (isto é, o homem caça e mata, a mulher prepara) estava se desequilibrando! De repente, a parte do homem masculino não era mais feita por ele mas, sim, por uma máquina! O homem não era mais necessário pra essa sociedade industrial!
Já que os homens não faziam mais a parte que lhes cabia, eles se dedicaram então em gerenciar as máquinas que faziam o que lhes cabiam. Eles iam pras fábricas e pras empresas continuar a ganhar o salário deles, como se eles fossem pra lavoura, com a notável diferença que eles não eram masculinos o suficiente em um escritório comercial em algum lugar no centro de Londres. No máximo, eles podiam ofender a mãe do outro em uma discussão de trânsito, e só. Muito deprimente, em minha opinião. E a masculinidade começa, lentamente, a se atrofiar.
A mulher, enquanto isso, continua sendo mulher. Sendo valorizada como o pilar doméstico da casa, que dá liga, que maneja as coisas, que compra a comida e que prepara ela toda noite. Em nenhum dia na história da humanidade uma mulher precisou deixar de ser mulher - claro, desconsidere as cantoras de MPB dos anos 80 - e elas puderam produzir seus hormônios lentamente, através dos século. E digo-lhes mais! A partir da Revolução Industrial, as mulheres passaram a ter direitos iguais, conseguiram eleger e serem eleitas, conseguiram reconhecimento em pesquisas científicas, conseguiram ser imperadoras e rainhas. Aliás, a mais notável imperadora da história deste glóbulo azul-aguado em que vivemos é a Rainha Vitória, líder da própria Inglaterra. Coincidência, não?

O que estou tentando fazer com que os senhores vejam, senhores, é que existe algo muito esquisito por trás dos panos, não acham? Não lhes parecem muito proveitoso que os homens sejam destituídos de todas as suas funções primordiais, enquanto as mulheres continuem sendo quem sempre foram? Não lhe é razoável imaginar que há algo de mal-cheiroso nisso?
Pois eu lhes digo! Há um complô!! Sim, senhores! Tudo isto é um grande e muito bem-arquitetado complô, uma conspiração das cabeludas, que faria os roteiristas de Hollywood morrerem de inveja, que faria os pêlos do mustache de Josif Stalin ficarem em pé, que deixaria a Ditadura Militar embasbacada. Um completo e minucioso complô, armado e arquitetado pelas mulheres, há quase quatrocentos anos, e que vem, ano a ano, dado cada vez mais certo! Qual é o plano, você me pergunta? Mas é clarividente: desmoralizar o homem a tal ponto que ele reconheça, envergonhado, que a mulher é, afinal, o ser superior do planeta.

E como eu percebi? De repente, atentei para um fato bastante peculiar, mas que dividirei com os senhores: já devem ter notado, os que são atentos, que as mulheres têm ligeiros problemas em pequenos afazeres em suas casas, afazeres estes que ainda precisam de homens. Um dos mais notáveis é o ritual de abrir alguma embalagem. Algo como o pote de palmito, que é só dar uma rosqueada que a tampa sai, ou o molho de tomate e o lacre de borrachinha. Até muito recentemente, era muito natural ver as mulheres tentarem e não conseguir, e estas pediam aos seus maridos.
Apesar de ser um fato corriqueiro, cotidiano, os homens se sentiam muito satisfeitos em serem úteis. O sorriso bobo estampado na cara, seguido de diversas piadas machistas, denotavam o fato, deixava claro que eles estavam se sentindo na crista da onda. Hipócritas. No início, essas intrépidas conspiradoras acharam que não era nada demais, mas depois de algumas décadas começou a ficar irritante. Muito irritante. Elas decidiram dar o troco com uma conspiração ainda mais sofisticada. Acompanhe.

Lembremos que o intuito das feministas é humilhar o homem inescrupulosamente, até que ele reconhece que sua existência no Planeta Terra é um erro da natureza, e ele passe o cetro do planeta para a mulher. Sabendo disso, e sabendo que as mulheres levaram 400 anos pra chegar onde estão e, portanto, não vão desistir tão fácil, fica bastante simples deduzir o que vem depois: elas decidem comprar as fábricas de embalagens! Claro! Com a posse da fábrica da maior vilã dos planos feministas, elas podem inventar mecanismos ainda mais diabólicos para se abrir as vasilhas, mecanismos que o homem, naturalmente, não consegue driblar. Elas inventam embalagens que usam o modelo "não é força, é jeito", porque homens só têm força, nunca têm jeito (sacaram o trocadilho?), pra poder humilhar, pisotear, destroçar o homem. E, finalmente, inventaram o abre-fácil, que o autor deste blog (um ser humano masculino, pra quem ainda não sabe) já teve o desprazer de enfrentar. Há há! Triunfo!

A partir de agora, a masculinidade dará conta sozinha. Um homem tentará abrir um pote, e não conseguirá, e os outros dirão que ele é um veadinho, um frouxo, um mela-cuecas infeliz. E os outros também tentarão. E falharão. E ficarão envergonhados e diminuídos ante o todo-poderoso poder feminino! Porque a mulher continua fazendo o que sabe fazer. E os frouxos homens não conseguem mais. Agora é só uma questão de décadas até o plano feminista lograr seu último resultado. E então, os homens ficarão em casa, imprestáveis, enquanto as mulheres comandam o mundo e dirigem a sociedade. Os homens não farão nada de útil. E as mulheres serão a raça mais importante. É, verdade, as mulheres armaram um plano e tanto. E por todo esse tempo, fizeram os homens acreditar que mandavam em tudo. Hehe, nunca desconfiaram de nada... Eles realmente acharam que comandaram a Revolução Industrial...

E então, os homens ficarão o resto de suas vidas assistindo futebol na TV, jogando vídeo-game e baixando seriado na internet, enquanto as esposas trabalham, cuidam da casa, das crianças, das contas, dos problemas. Os homens sugarão o PIB que as mulheres produzirão. Os homens não trabalharão mais, aqueles imprestáveis, porque as mulheres farão tudo.

Epa? Quem, afinal, levou vantagem nessa história?

"É, Kingston. Parece que as mulheres conseguiram. O plano que elas montaram há 400 anos deu certo. Somos imprestáveis, somos indesejáveis. Elas merecem o mérito."
"Do que está falando, O'Kelley? Plano delas? Claro que quem montou esse plano foi o homem! A gente queria ficar em casa dormindo enquanto a mulher trabalha, mas elas não podiam achar que foi idéia nossa. Senão não daria certo, entende? Agora, me passa a cerveja, o jogo do Arsenal vai recomeçar".

Ouvindo:
There Goes the Fear
Doves
The Last Broadcast (2002)

domingo, 13 de janeiro de 2008

Lidando com Computadores

Gente boa! Como vão os senhores? As senhoritas? Aqueles que são indecisos? Se você for um indeciso emo, desejo que esteja sofrendo muito. Caso contrário, espero que esteja indo bem, como sempre. ^^

O Rafael que vos fala escreve este post preocupado. Os seres humanos, mais do que nunca (ô lôco, meu!) estão estressados e irritados e, no geral, bastante frustrados com peças fundamentais de seu cotidiano moderno do século XXI. E a culpa disso, na maior parte, envolve um computador. Acontece que, como sabemos, não é correto culpar o pobre computador por tudo de errado. Precisamos rever nossos conceitos! Mas como fazer?
Opa! Se estamos falando sobre 'vida moderna', 'raça humana' e 'como fazer', então...

MANUAL MODERNO DO MANO METROPOLITANO
Lidando com Computadores

Há anos atrás, as pessoas viviam sem computadores. Não usavam o MSN pra falar com os parentes distantes, não orkutavam, não tinham fotologs para expor suas bonitas imagens e nem podiam falar bobagens aleatórias na internet. Eram tempos obscuros.
Agora, todos irão concordar que naquela época, a felicidade geral da população era consideravelmente maior. Oras, é só a gente ouvir uma nostálgica conversa do tipo "Na minha época...", para termos certeza, as pessoas eram mais felizes antes, quando os preços eram menores, os políticos honestos e esse blá-blá-blá todo. Mesmo sem as máquinas computadoras e fazedoras de tudo, o mundo era mais contente naquela época!

Entretanto, se a gente pensar bem, é fácil a gente deduzir o porquê. Oras, ninguém se estressava com o computador nos tempos remotos! Não havia o Windows há dois séculos, ou há cinqüenta anos, right? O computador não fazia birra, não dava pau, você não tinha que entrar em uma guerra para acessar a internet, não havia vírus comedores de tudo, não havia formatação do Cê dois pontos! Vejam que interessante paradoxo! Desde que colocamos um computador em nossa sala (ou quarto, ou cozinha, ou banheiro, ou onde mais você goste de colocar seus muitos PCs), descobrimos que computadores estressam a humanidade. Conforme um graduado engenheiro uma vez disse, os computadores nasceram para resolver problemas que antes não existiam. Temos que perder nossa esportividade e nossa razão para lidar com eles, porque máquinas, ao que parece, foram feitos para atrasar a vida humana! Pra atazaná-la! Pra irritá-la! E, o pior, os computadores têm conseguido êxito, até agora.

Mas não é saudável ficar emperreado com o computador não, meu rapaz. Este pequeno guia foi compilado para ajudar a ti, homem ou mulher de paciência escassa, a lidar melhor com estas infelizes armações de silício e plástico. No Stress!

Antes do começo, antes de ligar o computador, antes de sentar na frente dele, comece mudando seu ponto de vista a respeito do PC (ou Mac. Tudo depende do seu poder aquisitivo e de sua preferência de marca; oh, estou divagando de novo). Se você sentar na frente do seu monitor já estressado, pensando que vai ter mais uma sessão de raiva e ódio, você normalmente acerta. É um mistério o porquê, mas parece que computadores sugam a má energia de uma sala, e usam como combustível. Algum engenheiro que era médium e queria pregar peças nos outros, talvez?
Então, bom homem e boa moça, lembre-se, sempre e sempre: trate as máquinas como suas empregadas. A função delas é ajudar vocês, por mais não pareça. Elas não são inimigas, não são espiãs do governo americano, não são templos de adoração ao Capeta. São grandes complexos eletrônicos formados de silício e plástico, e nada mais. O problema com elas é que elas são burras, tadinhas. Certo, elas sabem calcular coisas totalmente inúteis, como a milionésima casa decimal do pi (lembram-se do pi?) mas elas são retardadas com coisas importantes, como, por exemplo, sua pressa em relação a um trabalho escolar. Então seja compreensivo. Lembre-se que, se ela não está fazendo o melhor possível para te ajudar, é porque ela não sabe como te ajudar! Ela só sabe rodar o Windows. E male-male...
Então não desconte sua fúria na pobre tadinha. Ao contrário, ela é sua aliada, sua ferramenta indispensável. É como uma arma pra um caçador. Ou você acha que um bom caçador põe a culpa na arma? É nada, se o caçador errou o tiro, há uma enorme chance do erro ter saído de algum lugar diferente da arma. E não foi a caça, certo?

Se o seu problema não for sua boa vontade em relação ao computador, seu problema pode ser outro: suas finanças. Você deseja que seu computador consiga rodar perfeitamente a última geração do Photoshop e do Corel DRAW!, e descobriu que seu Windows dá problemas até rodando o Paciência, né? Então não existe nenhuma dose de bom-humor que salve seu dia, rapaz. Dessa vez, parece que a solução é o bom e velho capitalismo. Abra o coração (e a carteira), vá até seu centro de compras de produtos eletrônicos mais próximo (o meu, por exemplo, é a Rua Santa Ifigênia, no centro da cidade paulistana) e vá às compras. Mais memória, um HD novo, um processador potente, um teclado que brilha no escuro (afinal, beleza também é fundamental) e outros badulaques de nerdes, que a maior parte da população precisa, mas não entende. Se você comprou tudo certo e instalou tudo devidamente, seu computador deverá estar pronto para enfrentar as dificuldades do envelhecimento digital.
Os problemas que dificultam aqui, mais uma vez, nada têm a ver com o computador mas, sim, com sua condição sócio-econômico-financeira. O que quer dizer que se você for pobre, ou dedicar pouca atenção financeira ao seu computador, você tenderá a passar muito tempo irritado com ele. E se quer saber minha opinião, isso é bem-feito. Agora, se você dedicar uma parte substantiva do seu orçamento à recauchutagem, aí você verá como seus stresses diminuirão.
Por algumas semanas, talvez. Logo logo você se acostuma com a nova velocidade adquirida e vai querer ainda mais velocidade. A raça humana não consegue se enganar, sabe?
É, também ficou implícito que se você for pobre, você estará destinado a ter um computador atrasado. E viverá sucateado e marginalizado na sociedade capitalista digital. A sua saída é ser um comunista esquerdista analógico - isto é, fazendo propagandas anti-capitalistas-digitais com panfletos feitos à mão. Boa sorte. Quem mandou ser pobre? >D

Agora, chegará, às vezes, o inevitável momento em que você se estressará. Ficará nervoso. O sangue subirá ao seu cérebro como o cheiro de um pum de repolho sobe em uma sala. De repente, tudo fica turvo, seus punhos se cerram, e você explode. AAAAAAARRGHHHH!!! Pronto, você ficou nervoso.
Lembre-se, agora: não agrida o computador. Não pense em atacá-lo, em chutá-lo, em mordê-lo, em dar uma chave de braço ou um mata-leão. Desconte em outra coisa. Você tem um irmão menor, não? Expie seus problemas nele! Ou no seu mascote, ou em alguma comida por perto - dar várias mastigadas repetidas em um pedaço de pão costuma ser muito promissor.
Descontar em seu computador sua raiva tem muitas implicações perigosas. A primeira delas é que, muito provavelmente, não vai adiantar. O computador não sabe que está sendo agredido, e a única reação que ele terá ao ser agredido é não ter qualquer reação. Ele continuará fazendo o que quer que ele estava fazendo que te irritou. A não ser, é claro, que você arranje uma marreta, e desça com tudo na torre do computador. Aí, bom, ele não fará mais o que fazia. E não fará mais nada, provavelmente.
Por mais que você não o destrua perpetuamente, você pode danificar o computador. Quebrar o mouse, o teclado, sua webcam, o monitor, you name it. E vai lá você, ogro espertão, gastar mais dinheiro comprando coisas que você já comprou. As empresas de fabrico de peças de computador agradecem imensamente.

Pelo contrário, existem implicações com o esmurro de um computador que transcendem a razão e a lógica, e acho justo comentar. Primeiro, você pode estar considerando uma possível vendeta entre homens e máquinas, e pode acreditar que, eventualmente, máquinas tomarão o poder e escravizarão a raça humana (os irmãos Wachowski que o diga), e você pode decidir agredir o computador enquanto você tem tempo. Ou, talvez, você acredite, no fundo no fundo, que os computadores sabem, sim, que a gente fica irritado, e que eles ajam desse modo só para nos sacanear. É, confesso que tem horas que todo mundo acredita. E você quer penalizá-lo pelo comportamento deliberado. Então nada mais justo que agredi-lo, como punição.
Punições serão, nestes e em quaisquer outros casos, maneiras de mostras a máquina que você tem algo que elas não tem: capacidade de agressão desnecessária. Você é um ser humano, cazzo! É o que você sabe fazer! Ficar nervoso, agredir com murros e urrar! Não negue suas raízes primatas, seu parentesco com gorilas e chimpanzés! Urre! Uh! Uh! Mostre ao computador que ele não passa de um ábaco de madeira bastante frágil, nas mãos de uma criança que não sabe brincar. É um ábaco cheio de badulaques legais, é verdade. Mas é só um ábaco. E você não sabe brincar.

Para concluir, cito Steve "Woz" Wozniak, co-fundador da gigante da indústria digital, a Apple. Disse Wozniak: "Nunca confie em um computador que você não possa jogar pela janela".
O que me faz lembrar do simpático senhor alemão de Hamburg, norte da Alemanha, que jogou seu computador do sétimo andar, depois de ficar realmente revoltado. Chamaram a polícia e tudo, mas o senhor de 71 anos não foi preso. Felizmente, ele não acertou ninguém passando na rua, e pôde sair ileso. Só teve que pagar os danos causados, e recolher os cacos do computador da rua.
Se eu tivesse lançado esse manual antes do ocorrido, é provável que o simpático senhor tivesse aprendido a lição, não ficasse irritado com o seu computador e nunca o jogasse 7 andares abaixo. Mas, ah, a gente tem, no fundo, a certeza de que hoje ele é mais feliz pelo que ele fez.

Então, sei lá, maltrate seu computador, chute-o, amasse-o, esmague-o, incinere-o. Ou não, faça como o sugerido pelo Manual de hoje. Mas lembre-se, sem estresse. Deixe o estresse pra outra hora. Pro horário político, talvez. Especialmente quando você vir a cara do Presidente Lula. :P

Ouvindo:
Clocks
Coldplay
A Rush of Blood to the Head (2002)

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Feliz 2008

Buenas, galera! Começando o amável ano de 2008, mais um ano nos nossos calendários e rotinas, eh? Não é fantástico?
Eu também acho que não. :P

Continuemos nossa saga infindável: achar um tema para postar no meu blog! Aê! Interessante que recentemente parece que não vem nada de aproveitável. Até tive algumas idéias, mas, sei lá, não consegui desenvolvê-las. Seria uma crise? Oh, noes!
Não, nada de crises. Crise é coisa de emo. E eu acho que já clarifiquei - não sou emo, right? Ótimo.
Sem mais atrasos, vamos ao prato principal.

FELIZ 2008
Típico Post de Início de Ano
Com um atraso de uma semana, ele finalmente chega. :D

O ano de 2008 chegou, pessoal! Festa! Felicidade! Torta na Cara!! Cara, sinto saudades do Passa ou Repassa.
Com o ano por aí, é hora de sentar e calcular o que haverá de novo na vida. Tem essa crendice que "ano novo, vida nova" que rola solta, então todo mundo acha que tem a desculpa de poder começar tudo só porque o calendário resetou, só porque estamos em Janeiro, e ainda tem tempo suficiente até Dezembro. É a mesma história do regime que sempre começa na segunda que vem. E você lá, engordando, e come mais um pedaço enorme de pudim, porque segunda que vem é dia de começar um regime. Dos brabos.
Então, porque o ano é novo, a sua atitude vai ser completamente renovada. Vai brigar menos, vai xingar menos, vai ser um estorvo bem menor, vai se dedicar à coleta seletiva do lixo, vai abraçar a causa ambiental, vai votar em um político decente, vai aprender salsa e nunca mais vai mascar chiclete. Se possível, vai tentar acreditar de verdade em Deus e no que o padre fala. Agora vai!

Só não entendo porque o desespero em se rejuvenescer todo ano. Só por que o ano é novo, a mentalidade é nova? Eu troco de cuecas todo dia e nem por isso renovo minhas idéias. Aliás, se você tem acompanhado minha saga de escritor, notará que "renovar" e "idéias" não costumam se juntar quando é algo a meu respeito (e, que fique claro, isso não quer dizer que não troco as cuecas, hein?).
Na verdade, é raríssimo encontrar um cara que realmente consiga mudar as resoluções dele para a vida, o universo e tudo o mais só porque deu meia-noite do dia primeiro de Janeiro. A não ser que o cara ganhe na Mega Sena na primeira semana do ano, ele acabará amolecendo, e vai descobrir que o ano x+1 vai ser no mesmo ritmo do ano x.
Tá, tá bom, tem algumas exceções, é verdade. O cara que passou esse ano no vestibular, com certeza terá rotina alterada. O cara que arranjou um emprego em qualquer lugar da Eurozona também estará com o ano prometendo tremendas mudanças. E assim sucessivamente. Como estes são casos isolados na nossa esfera azulóide, é muito provável que você se encontre como o cara que vos fala: fazendo várias promessas de melhorias para o ano 2008, e descobrindo, em algumas semanas (alguns meses para quem é tapado) que não adianta, rapaz, você é você e não vai mudar.

Mas que fique explícito aqui: não vá deixar de comemorar o ano-novo só por causa disso. Vai, cara! Compre rojões! Compre bebidas! Compre pacotes de turismo e vá pra Guarujá! Compre roupas e sapatos! Movimente a economia!
No fundo, no fundo, é tudo um golpe do capitalismo: fazer da gente feliz pra gente gastar dinheiro e alimentar o monstro capitalista. Sim! É tudo uma maneira do capitalismo pra fazer a gente gastar mais e mais dinheiro, só pra gente ficar feliz. Quem quer ficar feliz, afinal? Queremos mais é que o Capitalismo morra! Mooooorra!!

Bom, falava eu da mentalidade rejuvenescedora, que eu não entendo. Pra que prometer mundos e fundos (uma expressão que eu acho fantástica, embora em desuso) por uma causa perdida? Pra que prometer fazer um regime, se nunca vai sair? Pra que prometer que o Corinthians vai sair da crise? Não, não vai dar certo, não tente enganar os outros. Você é um peso morto, um ameba sem força de vontade que não conseguiria levantar para soltar um pum. Seu bosta.
Agora, acompanhe comigo: você é um bosta, certo? Não tem força de vontade, não tem futuro, não tem jeito. Vai tentar e não vai conseguir. Vai prometer tirar boas notas e não vai dar certo. Vai prometer arranjar um emprego e uma namorada e não vai conseguir. Vai largar a internet e os doces, e vai falhar. Então, pra que tentar? Pra que se esforçar com as resoluções de ano novo? Why bother?
E já que você não vai conseguir abandonar o vídeo-game, mesmo, já que não vai tirar boas notas, abandonar o carteado, deixar de comer chocolate, sugiro que você desista de lutar com você mesmo! Isso aí! Veja, por exemplo, um cara que conheço, que não sou eu e não tem nada a ver comigo, é só um amigo de um amigo meu. Enfim, este amigo de um amigo meu adora video-game. Viciadão mesmo. Há alguns anos atrás, prometeu que ia largar o vício por causa do ano novo. O que aconteceu? O cara não conseguiu, ficou deprimido, chateado, desmotivado, sem vontade de cantar uma bela canção. Pobre dele. Mó fossa, mesmo (fala a verdade, Pammy, não é uma palavra divertida?). Passou um ano em crise, nem conseguiu passar na faculdade. No fim desse ano, não prometeu nada. Prometeu somente que iria trocar as cuecas regularmente.
Mas ele teve uma idéia, no fim de um dos anos: já que ele prometia e não rolava, decidiu prometer algo que ele daria conta! Ele prometeu que iria se esforçar para jogar ainda mais vídeo-game! Agora sim!! Ele prometeu algo que ele tinha certeza que cumpriria! Agora, esse amigo de um amigo, que não tem nada a ver comigo, vive feliz, jogando vídeo-game, com a sensação de dever cumprido e de bem com ele mesmo. Bonita história, não?

Que lição tiramos dessa bonita história? Não faça nenhuma promessa que você não vai cumprir, cabeção. O universo é injusto e joga roubando contra você, então roube você também! Arranje um objetivo bastante fácil e se agarre a ele! Coma doces feito louco! Continue desempregado e sem namorada!Não arranje um amigo! Não abrace a questão ambiental! Lembra-se do WAR? Então, em vez de 24 territórios à sua escolha, pegue um objetido do gênero "Conquistar a Oceania ou a América do Sul, ou somente um dos territórios deste continente". Agora você tem chances grandes de ganhar, certeza.
E se alguém estranhar, lembre-se de repetir: é resolução de ano-novo. Dá azar se você não cumprir. Não diz depois que você não foi avisado. Porque eu avisei. Dá um azar dos infernos :P

Ano que vem vocês me contam como foi. Estarão com menos saúde, menos amigos, menos dinheiro e, no geral, bastante acabados. Mas estarão felizes. O importante é isso! Feliz 2008!

Ouvindo:
Here Comes Your Man
Pixies
Doolitle (1989)

sábado, 29 de dezembro de 2007

Calor Lazarento

Fim de Ano! Aew! O Inominativo chega para o fim do feliz ano de 2007, com um balanço positivo! Ié ié! O blog é repleto de pessoas ilustres visitando (vocês, naturalmente) e boas impressões dos visitantes. Já que é assim, eu me esforço e posto de novo, certo?
Certo!

Eu tinha algumas idéias boas. Só que duas delas já venceram, porque eram sobre o Natal e o Natal já se foi faz 4 dias - isso é muito tempo. E as outras eram ótimas candidatas para a postagem de hoje, mas eu acordei com outro problema na cabeça. Um problema grandão. É o problema que dá título ao post de hoje, o último do ano.

CALOR LAZARENTO
Quando o Tempo É Bom Demais

Viver em São Paulo é o máximo, claro que é. Vocês sabem que eu adoro essa cidade (e se você não sabe, deveria ler este post), que acho ela fantástica, maravilhosa, sensacional, um luxo.
O caso da cidade paulistana, entretanto, é que o "máximo" da primeira frase é levado a sério, e em diversas situações diferentes. O máximo de grandeza, de gente, de bagunça, de sujeira... Tudo aqui é no superlativo.

E esse "máximo" não falha quando falamos do clima. Vejam vocês, por exemplo, o Verão. Uma estação agradável, com muito sol, sorvete e roupas de banho. Mas a agradável Paulicéia surpreende sempre os moradores, e liga o termostato ao máximo, cabra! Quando você menos percebe, está um calor de 33º nas ruas, pessoas morrendo carbonificadas nas ruas, gente em pânico.
E quando chega o Infer... perdão, o Inverno, aqui também é o máximo da friaca. Tudo fica ainda ainda mais cinzento e mórbido na cidade que já é bastante conhecida por ser cinzenta e mórbida. O vento vem terrivelmente gelado e cortante, e nenhum lugar parece ser quente o suficiente pra compensar. Nem ônibus lotado de sexta-feira às 18h00 dá cabo do frio.
Isso pra não falar de quando chove. Esse nem precisa de explicação direito, precisa? Dois minutos de chuva são suficientes pra acabar com o trânsito tão pacífico, mas quem disse que só chovem 2 minutos em São Paulo? Ficamos três semanas sem nem olhar uma nuvem de chuva, e quando a chuva vem, mata quem estiver na rua afogado. As favelas vêm abaixo (de novo), todo mundo redescobre os guarda-chuvas a cinco reais. :P

O negócio da cidade é que a metrópole está em cima da famigerada Linha de Capricórnio. Manja, aquela linha que separa o que é Zona Tropical de Zona Temperada? Onde o sol bate em cima quando é verão, e onde ele passa looonge quando é inverno? Essa mesma. Então, a cidade paulistana está em cima dela (teoricamente falando, a linha passa acima da mancha urbana por alguns quilômetros, mas isso não faz a menor diferença em termos de clima, faz?), e a gente nunca sabe se a cidade está em Zona Tropical ou Zona Temperada. E a gente fica com o pior dos dois casos! Quando faz frio aqui, esfria tanto quando as nobres cidades do Sul brasileiro, e quando esquenta, é um calor lazarento dos infernos, porque a poluição ajuda a aumentar a temperatura no verão.

Haverá os que dirão para mim (porque sempre há) que aqui nem é tão quente assim, que no Nordeste ou no Centro-Oeste as temperaturas são ainda mais desagradáveis e destruidoras - o Norte não vale, a Amazônia alivia pro lado deles - do que as daqui. Ao que lhes respondo: acabamos de sair de um frio miserável no Inverno! Houve, em Julho, um dia em que chovia e ventava terrivelmente. Eu estava tentando instalar uma placa nova no computador que ora uso para atualizar meu blog, quando a temperatura baixou tão miseravelmente que eu sentei no sofá, agarrei os três edredons mais próximos e me fechei dentro deles, tremendo de frio. Quando eu dei por mim, todo mundo em casa também tinha se enfiado em algum lugar pra tentar vencer o frio, e ninguém conseguia fazer nada de útil. Um sábado gostoso de férias, e ninguém podia fazer nada, por causa do frio!
É nesta mesma sala, 6 meses depois, que entro depois de sair do meu quarto, e me deparo com todo mundo jogado em um colchão improvisado nada sala, porque ninguém aguentava ficar sentado no sofá. Eu, com a camiseta grudada de suor, minha mãe com a testa oleosa, meu irmão semi-dormindo, e todo mundo com o cérebro babaca. Eu acho que não saberia fazer uma conta de soma se me perguntassem.
Interessante, porque o calor meio que te impede de fazer as coisas. Você não consegue pensar em um calor infernal. Você olha para as coisas e tudo adquire um blur, um fosco. Você fica com preguiça de fazer qualquer coisa que envolva movimentar músculos, e isso incluir falar com clareza. Então você também tem dificuldades de ouvir o que os outros falam. E o raciocínio fica lesado, a preguiça aumenta, você fica devagar... Mais um típico dia de verão.

E aí, que muitos comemoram, e muitos reclamam. Há os que acham que é odioso viver nesse calor, derretendo, morrendo, sofrendo. Toda roupa que eles usam gruda neles, eles têm que usar litros de desodorante pra dar conta do cecê lascado, ficam com mau-humor e irritados... E há os que adoram o verão, querem usar menos roupas, pular em piscinas e praias, beber cerveja até cair, tomar sorvete...
É o melhor a se fazer, mesmo. Acordar mais cedo, partir para algum lugar legal com amigos e invadir uma sorveteria, aproveitar a praia, exibir para o mundo a sua felicidade brasileira :D
Agora, se você for um pobre lascado que nem eu, o melhor mesmo mesmo a se fazer é passar calor em casa, ligar um ventilador ao máximo e pedir piedade aos céus. Tente não desanimar e acabar com a sua vida, entrementes porque, como eu canso de falar, isso é coisa de emo. Aliás, até me pergunto como andam os emos, vestidos todos de preto nesse calorzão bão de Deus. Bah, isso é problema deles, não meu. O meu problema é raciocinar nesse mormaço infeliz.

Inda bem que já já chove. Se tem uma coisa que eu tenho certeza sobre o tempo paulistano é: quando o céu está bonito, logo logo vai chover.
Eu sei, nada aqui faz sentido. Nem a cidade, nem os moradores. :D

Aproveitem a festa do Ano Novo, macacada. A gente se vê só no ano que vem, agora. :D
Adeus, Ano Velho! o/

Ouvindo:
Under Pressure
Queen & David Bowie
Hot Space (1982)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2007

Deus

Noite, cambada! Como vai a bagunça nossa de cada dia? :B

Estava a minha pessoa a jogar conversa fora, como há muito tempo não fazia, nA PIOR COMUNIDADE DO MUNDO (sim, em letras capitais). Uma comunidade do orkut, assim, como todas as outras. Típica, pacífica, amiga de todos e de tudo. Seria mais uma comunidade qualquer, não fosse o fato de eu ter conhecido lá uma pá de gente boa! E eu passo algumas horas lá jogando conversa fora, sempre que posso.
Seja como for, estava na PCDM (que é como chamamos a comunidade), a conversar com os seres humanos que por lá vagavam. Quando surgiu um assunto em que eu usei de minha criatividade - que, vocês sabem, é fraquíssima - e acabei falando do Mano que Manda, sabe? É, o TP, o Todo Poderoso. Então, embalado, decidi que ficaria um post legal. Ou, pelo menos, uma tentativa legal de post.

Mas, depois, pensei: não acharão pedante demais? Não acharão impáfia minha? Blasfêmia, talvez? Então receei. Mas pensei "Bah, que bagulhos, este é um país livre. Posso falar da divindade que bem entender e nada de ruim vai me acontecer". E é isso aí.
Bom, enquanto eu estiver vivo, acho que nada me acontece. Quando eu morrer as contas serão acertadas (hohoho), mas enquanto eu devo, não nego e pago quando puder...

DEUS
A visão de um leigo


Costumam falar que Deus é um velho chato. Um cara ranzinza e ranhento, que obriga a todos e a tudo a adorá-lo incondicionalmente, como se ele fosse Hugo Chávez e nós fôssemos os revolucionários otár... eeeerm, simpatizantes. Só porque ele criou o Universo sem o nosso consentimento, a gente é obrigado a viver em dívida com o vovô chatão, que ainda tem a pachorra de não nos dar a menor prova da existência dele, só porque, um dia, uma tal de Eva lá viu uma maçã vermelhinha, vermelhinha, e deu uma dentada. Daí baixou o espírito de Chávez de novo no velho chato, ele expulsou pra sempre os humanos do Paraíso (também conhecido como Principado de Mônaco). Só pra ele ficar sozinho comendo as maçãs dele.
Conclusão: Deus é um velho caquético e gagá, que criou o mundo e acha que tem que ser eternamente agradecido por isso, mesmo que a gente ache que tenha sido uma péssima idéia, a dele. E ele não gosta de ser contrariado, quer ditar nossa moda, nos dizer o que fazer e quando. Realmente, ele parece um ditador latino-americano, hein?

Mas, meu, pensar assim do Deus Todo-Poderoso, pra mim, é muito broxante. Qual é a graça em viver feliz se temos um cara gagá com poderes ilimitados em cima de nossas cabeças, e que pode decidir a qualquer instante em que buraco vai nos mandar? Se fizermos algo de errado, ele vai nos fazer queimar eternamente no Inferno!, ouvindo Fresno e NX Zero, e essas coisas que qualquer ser humano decente tende a odiar. Viveremos sempre chateados e receosos, esperando pelo pior, a qualquer momento. Credo, não foi à toa que todo mundo se lembra com pesar da Idade Média quando, em geral, era assim mesmo que as pessoas viviam.
Eu, entretanto, sou decididamente otimista, vocês devem ter notado. Eu sempre preferi achar que tudo tem jeito, que a vida é feliz e legal e essas coisas. E, digamos, esse tipo de visão não é compatível com um mundo em que temos um ditador abusivo no poder, certo? O bom do Século XXI é que consolidaram a democracia, e isso significa que a gente pode pensar o que bem entender das coisas sem ser preso por isso! É daí que veio a minha inspiração: se Deus realmente existe, quem é esse cara? O ilustre desconhecido, que todo mundo conhece, mas ninguém sabe quem é. Quem? Que mistério...

Na minha leiga opinião (digo leigo porque não sou religioso; eu não sei exatamente o que sou, mas católico praticante eu definitivamente não sou), Deus é um cara legal. Mas, sei lá, não é um cara legal, como qualquer um que você encontra na rua e ele te dá passagem ou te pede desculpa se ele pisa no seu pé. Ele é um vovô muuuuito legal. Um cara velhinho, assim, com jeitão de sábio que conhece de tudo (porque ele, de fato, conhece de tudo), que entende de tudo, que tem todas as respostas.
Ele deve ser um cara bastante hiperativo, e volta e meia deve ficar entediado. Ele ficou entediado antes de criar o tempo-espaço em C# (uma linguagem de programação, pra quem não é nerd), e criou o Universo e o tempo-espaço. Ele gostava de ver coisas explodindo, porque ele gosta de luzes e sons (embora o som não se propague no espaço). Quando se entediou de novo, programou o Universo para que o Sol e a Terra nascesse (calculo que a Lua tenha sido um erro de fórmula) e depois, fez a sopa de bichinhos lá que originou as amebas e a vida em geral. Ê, prêmio de Biologia para o nosso vovô gente fina.
Calculo também que ele ficou radiante quando chegou nos dinossauros. Sabe aquelas crianças que assistem Jurassic Park (que hoje é um filme igualmente jurássico) e ficam tarados por dinossauros? Então, ele deve ter ficado tarado, fazendo lutinhas de dinossauros no nosso planeta, e vendo os dinossauros passearem livres no pedregulho azul. Até que ele achou que não gostava daquilo - os dinossauros não podiam jogar futebol! - e ele arranjou uma pedrinha, jogou no planeta e assassinou os dinos. E inventou a raça humana. Agora, sim, uma raça divertida. Deus ajudou os humanos a serem mais legais inventando o bêbado (lembram-se?), porque ele também queria se divertir com o bêbado.
E depois de ele ter visto que as coisas iam razoavelmente bem na Terra, ele decidiu recostar-se em sua poltrona de couro sintético (Deus não mata animais para esse tipo de coisa) e assistir a vida na Terra. Sim, porque Deus, no fundo, é um noveleiro. Ele criou a gente porque queria assistir uma novela de qualidade (ou um reality show, o que preferirem), e então fez um decente, com bilhões de participantes. E, melhor ainda, é um reality show em que as pessoas não são eliminadas semana a semana - ao contrário, eles se multiplicam! Somos 6 bilhões e meio, e subindo! E agora ele pode assistir ao seu programa em sua poltrona, com seus amigos anjos, seu filhão Jesus "Jeez" Cristo e outros notáveis caras daqui que vivem por lá, com o nosso vovô gente boa.

Ele é um cara tranquilão. Ele prefere não se intrometer na nossa vida, porque isso dá trabalho, e bagunça tudo. Imagina que você comanda, sozinho, um orfanato com quinhentas crianças, e elas começam a brigar entre si. O melhor a fazer é assistir pra ver no que vai dar. É isso que Deus faz. Mas ele tinha isso em mente desde o início! E ele fica realmente feliz em ver que a gente está se divertindo aqui embaixo.
Que mais? Ele gosta de futebol - claro, senão não teria deixado o futebol ser o esporte mais famoso do mundo - e assiste sempre que pode. E ele fica realmente feliz em ver a Copa do Mundo dando certo. Aliás, acredito que ele esteja feliz em ver que a Copa de 2014 seja no Brasil. Ele gosta do Brasil, claro. O Brasil, pra ele, é como um aluno preguiçoso que não tem jeito, não tem futuro, sabe? Todo mundo ri na aula dele, ele faz boas piadas, ele tem potencial, os professores gostam dele. Um cara legal. Mas é um preguiçoso fanfarrão :B
Ele também gosta de golfe, porque é esporte de velho rico (e, cá entre nós, teoricamente falando ele pode ser tão rico quanto quiser ser), e assiste filmes clássicos e filmes hollywoodianos toscos em que todo mundo morre nas mãos do Rambo. Ele se diverte com Lego, que, segundo ele mesmo disse, foi a melhor idéia da humanidade desde a eletricidade, e foi por isso que ele fez da Escandinávia um lugar rico e próspero (se você não sabe, o Lego foi inventado na Dinamarca em 1934, e a Dinamarca faz parte da Escandinávia).

No geral, Deus é um vovô gente boa. Animado, que gosta da maior invenção dele, a simpática raça humana. Ele manja tudo de Matemática, Astronomia, Física, Química, Biologia, Programação, História Geral Mundial, Geologia, Geografia e Geopolítica, e fala aproximadamente todos os idiomas do mundo (ele não entende o Português Carioca; ele não gosta do som chiado). Ele é piadista, gosta de se divertir, tira férias freqüentemente para conhecer o seu planeta, tem uma cidade de Lego em miniatura que ele mesmo fez, gosta de cozinhar e é o único ser inteligente fora dos Estados Unidos que entende o beisebol.
Ele também é muito simpático, gosta de ouvir os filhos dele (nós! \o/) e é bastante tolerante e ponderado. Ele é mais um vovô do que um pai, sabe? E eu não acho que ele tenha feito um Inferno com labaredas e torturas e zás. Ele, no máximo, inventou um lugar que não tem chocolate e vídeo-game, o que é uma tortura muito ruim, a meu ver.

Acho que isso é mais ou menos o que eu acho que Deus, o Todo-Poderoso, é. O cara mais boa-pinta do Universo decidiu sentar-se e criar a novela mais incrementada da História. Fez uma sopa de bichinhos e inventou a vida. E se diverte toda noite assistindo a saga dos macaquinhos pelados, levando a vida deles numa boa. Ele ri do tosco, ainda gosta de explosões e fica orgulhoso sempre que vê um bêbado dando show em algum canto do mundo. Ah, vai, bem mais legal viver em um mundo feito por um cara legal e animado do que por um ditadorzinho latino-americano que acha que aqui é o país dele porque Deus quis - mesmo porque ele é Deus, mesmo.
Não é à toa que as Igrejas vivem perdendo fiéis. Ficam aterrorizando os caras, ensinando eles que Deus é implacável como Chuck Norris.

Agora, se é verdade, e Chuck Norris for mesmo Deus, então ferrou. Desconsiderem essa postagem. :D

Ouvindo:
Everybody Knows You Cried Last Night
The Fratellis
Costello Music (2006)

quinta-feira, 13 de dezembro de 2007

Minhas Memórias dos Meus Blogs

Festa! Festa! Ritmo de Festa! Aê!!

Olá, gente animada! Hoje é dia 13 de Dezembro! E sabem o que significa? Meu blog acaba de completar um ano de vida! Alegria, alegria! Aêê!
Já que é dia especial, acho justo escrever um post neste dia, pra comemorar (arriba!) e pra atualizar, também. Afinal, hoje a festa é sua, hoje a festa é nossa! Que cafona :P

Ano II, Postagem #60
Minhas Memórias dos Meus Blogs

Não me lembro direito a primeira vez em que eu pensei "vou criar um blog". Não me lembro, tampouco, do ano, do mês ou do dia. Eu era uma espivetada criança (eu nunca fui espivetado, entretanto, mas eu gosto dessa palavra, de modo que ela fica aí) entre os 14 e os 15 anos. E, na época, era comum as pessoas terem blogs. Ou, melhor dizendo, bligs (blogs do iG). Aliás, me recordo que haviam aqueles que chamavam qualquer blog de blig, inclusive aqueles que não estavam hospedados no iG. É como chamar qualquer refrigerante de Coca-Cola. Mas eu achava revoltante e injusto com os outros serviços de hospedagem de weblogs, tadinhos.
Seja como for, eu estava com alguma macaca azul muito fedida naquele dia, e achei por bem fazer um blog no blig. Há duas coisas a respeito deste blog do blig que me recordo: o nome cafoníssimo de "Ó nóis aki traveiz", ou algo parecido (sim, espantem-se, eu já tive meus momentos de pré-miguxismo); e o conteúdo, que era nada de aproveitável. Eu escrevia bobagens aleatórias. Ah, também lembro do lay-out dele: era do São Paulo FC, com o escudo do Tricolor Mais Querido ao lado. Sempre tive bom-gosto pra esse tipo de coisa. =D
Tão bom era o blog do Blig que eu tinha que eu não me lembro de nada mais detalhado, como o endereço, data da criação, circunstâncias da criação, dia em que eu o abandonei, o que eu escrevia... Nada de nada. Lamentável, não? Bom, talvez não. Talvez seja tão ruim que é melhor ficar no limbo da internet do passado. Eu devia ser um blogueiro bastante ruim, comparado a hoje (como se hoje eu fosse Fernando Pessoa). :P

O que eu me lembro de legal dos blogs daquela época era que era uma novidade e tanto na terra brasilis. E quem acessava este tipo de novidades eram os adolescentes (ou, melhor dizendo, os pré-adolescentes). E foi por causa disso que nasceram os blogs genéricos femininos, que eram abismalmente iguais uns aos outros - perdoe-me se o leitor for uma das autoras da época, mas hoje que você é esclarecida, haverá de concordar comigo. Todos eram rosas, todos eram brilhantes, todos eram fofos e ridículos. Ainda mais para um garoto, como eu. ^^
Lembro que as garotas, invariavelmente, escreviam detalhes suuuuper-emocionantes (woop-dee-doo) dos cotidianos delas. De como elas tinham feito coisas e não tinham feito, e essas coisas. Como naquela época era novidade, não havia a frescura que se vê nos fotologs de hoje de "estou com preguiça de postar, então só posto a foto". Mesmo porque postar uma foto em um blog era coisa para fazer um doutorado. Então os blogs eram razoavelmente iguais entre si, e as postagens de um dia pra outro também eram. Havia também alguns garotos que faziam a mesma coisa. Os assuntos eram diferentes dos femininos, eles escolhiam mais cores, além do rosa e do azul-bebê, mas era sempre tudo a mesma coisa. Parecia suruba de japonês. Hohohoho...
Acho que este sempre foi o motivo de querer fazer um blog diferente. Eu gostava de ser o piadista, e nunca gostei de falar sério. Ainda mais sobre a minha própria vida. Então eu fazia posts sobre nada em especial. Claro, depois de alguns anos viriam blogs profissionais, como os Kibeloco e os Chongas da vida. Mas eu era um pioneiro :P

Seja como for, depois que eu abandonei o blog do Blig (que tem um nome tão cafona que nem gosto de escrevê-lo), fiquei alguns meses fora do mundo dos blogs. Nestes meses ausente eu via pessoas comentando em revistas e jornais e em páginas da internet sobre a revolução dos blogs. E eu visitava blogs e achava legal. Em um belo dia de domingo (eu adoro domingos - talvez por eu ter nascido em um ^^) eu decidi conhecer o Blogger.com.br., e fundei O Mal do Século.
Conforme eu expliquei dezenas de vezes, eu não sei porque eu escolhi este nome, e só me lembrei bem mais tarde que Mal do Século era a tal da geração do Romantismo brasileiro, que tinha um monte de emos querendo espalhar a angústia deles pelo mundo e se matar. O porquê de eu ter pego um nome com este estigma permanece um mistério, mas foi o que fiz. Lembro somente que criei O Mal do Século. Ele era bem melhor que o antecessor do Blig. O blog era mais editável, as opções eram mais amplas, e o autor estava mais maduro - bom, nem tanto. Mas eu me recordo de ter arrancado alguns elogios e risadas, conforme eu mostrava pros meus amigos. Como um ser humano qualquer, eu me irradiava de orgulho ao saber que meu blog era simpático, e eu tratei de postar nele mais vezes.

A história dO Mal do Século foi bem mais diferente, conforme vocês podem notar. Primeiro que, mesmo sendo um nome cafona, eu não tenho vergonha de dizê-lo (ao contrário, é divertido!), e ele ficou mais famoso, mais garboso, mais elegante. Não, não tão elegante, mas estava mais apresentável. Por um breve momento, fiz alguns contatos por causa dele, tornei ele semi-famoso no meu círculo social... Não é a mesma coisa que você faz quando compra um carro novo, é como se você comprasse a coleção inteira de bonecos do Star Wars. Você não sai contando pra todo mundo, com medo de te chamarem de nerd sem vida. Você só conta pros esquisitos como você. E era mais ou menos o que eu fazia. Se saísse dizendo "Oi, eu tenho um blog chamado 'O Mal do Século', quer visitar?", eu muito provavelmente teria uma vida social bastante prejudicada. Parece uma cantada de perdedor :P
Mesmo assim, ele era famoso. Eu, invariavelmente, entrava no meu blog para ver se havia algum comentário novo (naquela época era moda comentar nos blogs que você visitava, também), e naquela época eu até respondia os comentários! Com um outro comentário, logo acima do original! É, era bastante esquisito. Ou, como dizem hoje em dia, era "alternativo". Eu também empurrava amigos para visitar meu blog para lerem e comentarem e me dizerem o que achavam. Eu acho que eu era chato.
Seja como for, cuidei dO Mal do Século por 3 longos anos. Postei textos enormes, imagens divertidas, piadas sem-graça, tive alegrias e frustrações (sniff). Lembro que depois do segundo ano do blog eu fechei ele por algum tempo. Que burrice a minha...

Na época dO Mal do Século (isto é, entre 2003 e 2006), muita coisa aconteceu de diferente na internet. De início, me recordo que o modelo do blog estava em decadência na época, e antes do primeiro ano de vida do meu segundo blog, quase nenhum dos meus amigos tinham blogs. Haviam migrado para os fotologs, ou flogs, que eram substancialmente mais fáceis de se gerir, e ainda tinham fotos! Na minha opinião preconceituosa, entretanto, eu achava os flogs chatos e sem graça, porque as pessoas só iam pra ver as fotos. E eu gostava de ler as coisas. Mas todo mundo tinha preguiça de ler coisas (ainda mais quando eram posts do tipo "Ah, hoje não fiz nada de especial. Fui pra escola, cochilei e fiz minha lição de casa. Amanhã vou no cinema e na sorveteria. Será que o filme que quero ver é bom? Beijos"), e então as pessoas achavam flogs fáceis - só precisa ver a foto e comentar coisas genéricas, como "nossa, como você está bonita!". Fácil pra todo mundo! Mas eu era contra a maré, e mantive meu blog. Lembro que eu dizia aos outros que tinha um blog, e diziam que não gostavam de blogs, porque tinham preguiça de ler textos. Esse é o Brasil do futuro! ==b
Depois da fúria por fotologs, outra mania desembarcou forte no país de chuteiras: o tal do turco louco e seu orkut. O site era uma cruza louca de fóruns com páginas pessoas e álbum de fotografias e etcétera. As pessoas, agora, mantinham sua vida social eletrônica (e ainda mantém, por enquanto) nas comunidades do orkut. Antigamente, eram comunidades comportadas. Hoje em dia, comunidades completamente estapafúrdias e divertidas. O mundo dos blogs foi varrido para a obscuridão, e os flogs eram artigos de luxo - quem tinha flog era porque tinha tanta foto linda que não cabia nas 12 fotos que o turco louco liberava. Foi então que abandonei, por breves instantes, o meu segundo blog.
Após 2005 que os blogs que todos conhecem ficaram famosos, como os que já mencionei. A medida que voltei com o meu, vi que alguns amigos também mantinham os seus, e que blogs famosos ficavam cada vez mais famosos. O mundo dos blogs voltava! E eu voltei com o meu blog. Por mais um ano, aproximadamente.

E aí veio o Blogger.com, do Google. Depois de eu sentir uma pontinha de inveja a respeito dos blogs do Google, frente aos do Globo.com, fechei O Mal do Século, e fundei este, o Inominativo. Há um ano atrás, exatamente. Não sei se vocês sabem - está escrito lá no alto, embaixo do nome do blog - que "Inominativo" veio da minha falta de criatividade. Vejam vocês, eu estava pensando como batizar este blog. O Mal do Século já existia nos blogs do Google. Era um blog inativo, mas já existia, não poderia pegá-lo. Então, olhando para a caixinha do nome do blog vazia, pensei que o blog ficaria inominável. Eu devia estar bêbado de guaraná, porque pensei em Inominativo, gostei do nome e o mantive.
Aliás, explico-lhes, também, o motivo do título do meu primeiro post aqui ser "Três Ponto Zero" (podem ir conferir, pra quem não se lembra). Porque naquele momento eu fundava meu terceiro blog. Começava do zero, novinho, belo, agradável. Assim como na transição do primeiro pro segundo, notei que eu havia amadurecido, que os posts eram melhores escritos, os comentários eram mais pertinentes. Enfim, o blog era, em um certo ponto de vista, melhor.

E hoje o Inominativo completa seu primeiro ano, seu sexagésimo post. Notei que tenho muitas visitas, principalmente de pessoas que fazem buscas no Google e abrem meu blog achando que eu tenha alguma resposta pertinente, e por isso coloquei uma caixa de texto explicando que o Inominativo tem a mesma seriedade de um programa do Casseta e Planeta, com a diferença que eu não tenho uma apresentadora peituda!
Notei, também, que muitos gostam do meu blog. E se não gostam, são ótimos mentirosos, e deveriam considerar a política ou a diplomacia. Seja como for, agradeço pelas respostas positivas. Agradeço inclusive a você, que não leu nenhuma palavra deste blog. Nah, pensando bem, não agradeço não, vá se danar. Mas pra você que está lendo, fique a par - este blog é dedicado a você =)
Por fim, notei que gosto muito de blogar. Me falta tempo, me falta assunto, me falta vontade. Mas quando eu crio um texto e posto ele e anuncio ao mundo que tenho um texto novo, eu fico orgulhoso pra caramba. É uma sensação maravilhosa. Então, no que depender de mim, terei um blog por muitos e muitos anos. Até que eu encha o saco e funde o quarto, talvez. Até lá, finjamos que o Inominativo é eterno. E que esse é o primeiro ano de muitos! Aê!

Feliz Aniversário, Inominativo!

Ouvindo:
For the Girl
the Fratellis
Costello Music (2006)

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

Os Últimos Chocolates da Caixa

Opa! Daê, galera? Tudo supimpão? :D

Chegamos ao último suspiro do ano de 2007 da Era Comum. Em breve, estaremos comendo doces gostosos junto de pessoas agradáveis, comemorando o Natal e o Ano Novo. Celebrando o ano que chega, torcendo para que ano que vem tudo seja diferente, assim como a gente torceu ano passado. E a gente sabe que nada vai mudar, mas sabe como é, né? Como a Raça Humana é boba... A gente é facilmente enganado. Inclusive por nós mesmos. Nunca vi. :P

Vamos ao trabalho. Por favor, desliguem o celular, o filme está começando.

Contos do Cotidiano
X - Os Últimos Chocolates da Caixa

Sábado. Depois de três dias de nuvens pesadas, o sol saiu no horizonte, tímido. Um cenário comum no fim do inverno. Também era comum nessa época a mãe comprar uma daquelas caixas de chocolates sortidos, que vendem no supermercado, pra família ter alguma glicose para ingerir no fim de semana. Uma caixa de uma marca famosa, com bombons famosos e gostosos e que todos amavam. As crianças estavam felicíssimas, vendo a caixona vermelha em cima da geladeira, sendo armazenada para depois da janta.
A janta veio e a janta foi. Assim que terminaram a janta, o mais velho fez menção de se levantar, rápido como um tiro. O pai o segurou. "Calma, garoto. A caixa não vai fugir. Vá, fique sentado que eu vou pegar a caixa". Educado o pai, não? É nada, ele queria abrir a caixa no meio do caminho e pegar pra ele o bombom recheado que ele mais gostava. Os outros se degladiariam pelos bombons comuns, mas o dele era dele e ninguém tascava.

Meia hora depois, metade da caixa tinha sido esvaziada. Foi-se o bombom recheado com nozes e o com avelã. O de chocolate branco foi pro menorzinho, que adorava. A mãe pegou um com recheio de morango, lá, que todo mundo abominava, menos ela. Os dois irmãos maiores se revezavam pegando bombons aleatórios: um de coco, um com biscoito wafer, um amargo e um doce. Até o de café pegaram, porque era um bombom com embalagem nova, queriam testar pra ver se era bom. Não, não era. O cachorro adorou, entretanto. Tanto que se atreveu a esperar por mais um, que alguém abrisse e não gostasse. Mas isso não voltou a acontecer. Shoot.

Depois de meia hora de festa, a caixa, pela metade, foi recolhida pela mãe, e todos saíram para assistir a um filme na TV. O sábado acabou, o domingo veio. No café da manhã, os filhos assaltaram a caixa de novo. Acharam um pequenininho que era crocante e um duro pra caramba, mas também era ótimo. Quando chegou na hora do almoço que o bicho pegou. Sobraram na caixa 6 chocolates. Que são os chocolates lá do título. "Os últimos chocolates da caixa". *vento tenebroso*
Manja aquele chocolate que tem uma embalagem muito sem-graça? Tão sem-graça que você, sem querer, faz associação preconceituosa? Você não pensa verbalmente - isto é, você não chega a mentalizar as palavras, mas pensa - que se um chocolate tem uma embalagem tão mequetrefe como aquela, ele TEM que ser ruim. Ele deve ter gosto de chocolate de terceira amolecido no bolso daquele seu vizinho gordo nojento. Ele deve ter sido feito com a maior má-vontade do mundo pelos cozinheiros que tomam conta das fornadas de chocolate. O marqueteiro que criou aquela embalagem devia estar sendo chifrado pelo macho dele. O cara que idealizou aquele chocolate devia ter pensado nisso enquanto teve um surto de diarréia. Enfim, um chocolate cheio de histórias desgraçadas e infelizes. Um chocolate que mais parece um boneco de vodu maligno. E você pensou em tudo isso olhando pra uma embalagem. Credo, como você é preconceituoso.

Foi essa associação preconceituosa que todo mundo fez quando olhou para o que sobrou na caixa. Todo mundo fingiu que não queria chocolate depois do almoço, e cada um foi fazer uma coisa - afinal, era domingo. Lá pelas tantas, no meio do jogão de futebol na TV, o paizão se lembra da caixa. Sorrateiro, pula até a cozinha, abre a caixa e se depara com os últimos chocolates da caixa. Credo, que depressão. Tão deprimido ficou que, por um momento, se esqueceu que seu time estava ganhando. Guardou a caixa, e foi curar sua vontade de mastigar um doce ao atacar as bananas. "Trocar um chocolate por bananas... Que azar...", pensou ele, comendo a banana como se fosse um fardo.
O filho do meio acorda da soneca da tarde, a fim de comer chocolate. Também se frustra quando abre a embalagem. E ainda pensa, nervoso: "Mas que diabos, por que ninguém come isso logo? Fica me fazendo passar vontade...". A mãe também acha que alguém deveria comer logo aqueles chocolates, assim ela pode se desfazer da caixa. Mas ninguém comeu.
À noite, o filho mais velho volta do futebol. Vai para a cozinha, toma um copo d'água e se vira maquinalmente para a caixa de chocolates. Chateia-se. Esconde a caixa. Pega, também, uma banana, e vai pro chuveiro tomar banho.

E veio a segunda e veio a terça. O pai levou alguns em sua mala para a empresa, ver se ninguém queria. Ninguém quis. A mãe pensou em dar pro cachorro, mas ele passou mal da última vez que comeu chocolate, melhor não. Aquilo estava se tornando uma crise familiar. Logo logo, uma reunião seria convocada, e eles teriam que tomar uma séria providência. Eles não admitiriam ser desrespeitados em sua própria casa por alguns chocolates sem-graça!
Foi só na sexta-feira que o filho do meio, chegando mais tarde da escola graças a um trabalho, descobre que não sobrou almoço pra ele. Ele disse que esperaria a mãe dele chegar, faltava pouco. Mas ele estava verde de fome. A barriga reclamava como um estudante de esquerda. Ele precisava tapear o estômago. Como?
Olhou para a cozinha, desanimado. E viu a caixa vermelha. Decidiu: levantou-se, pegou a caixa, voltou à sala, ligou a televisão, sentou-se com a caixa no colo e abriu o primeiro. Ele mordeu o chocolate receoso, como se estivesse com medo que o chocolate explodisse. E mastigou... E gostou! "É crocante!". E pegou outro. E pegou um de marca diferente, mas que também tinha embalagem abominável. E também gostou. E treminou os seis chocolates antes dos comerciais terminarem. Estupefato por ter gostado do gosto, e aliviado por ter, enfim, dado cabo da caixa, ele voltou à cozinha e colocou a caixa, amassada, no lixo. Lembrou-se de que deveria contar pra todo mundo que os chocolates não eram ruins! Mas, quando a noite chegou, ele havia esquecido. E todo mundo se esqueceu da caixa. E ele se esqueceu dos bombons.

Tanto que na quinzena seguinte, quando a mãe comprou outra caixa, todo mundo comeu os bombons de sempre. Mas aqueles seis ficaram lá, por uma semana, quase. Êta, coitados. Quem mandou serem feios?

Ouvindo:
Big Day
Tahiti 80
Fosbury (2005)