quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

Agradeçam ao Bacalhau

Adeus, 2009! Até mais, so long!

Também cotado como o ano em que este autor que vos dirige a palavra menos contribuiu para este blog, o ano de 2009 se vai com muitas memórias. Siiim, lá se vai um ano verdadeiramente único, em que tantas coisas aconteceram...
Bah, grande merda. 2008 também aconteceram várias coisas, mas nem por isso ele foi diferente. A verdade é que logo mais, 2009 só será mais um ano no passado. E se você pensar bem, em pouco mais de um ano, 2010 também será passado. Então por que se importar com tudo isso? Pra que toda essa euforia? Vamos beber e gastar dinheiro com coisas desimportantes, em vez disso! Esses são os meus votos para vocês em 2010. Vivam desimportantemente, porque ser importante é chato e sem-graça :B

Esses 10 dias que antecedem a cerimônia oficial de troca de folhinha de calendário da parede costumam ser cercados de tradição, né? Comprar presentes de última hora, ir em festinhas de família, agradar a pentelhada que há na sua família (se você for azarada, tem de agradar a sua pentelhada também...).
E aí, passado o Natal, é época de Ano Novo! Aew! Virada de ano com comida e doces e alegria e rojões! Uma tradição, em especial, me chamou a atenção ainda hoje, no último dia do ano, vejam vocês: esse tal de bacalhau nas festividades de Natal/Ano Novo.
Uma vez me disseram (aula de História, talvez) que toda tradição é carregada de significados. Eu nunca pesquei o significado do bacalhau, entretanto (provavelmente porque eu nunca me importei), então eu fiquei cismado. E das últimas vezes que me cismei com alguma coisa, fui, claro, ao Google todo-poderoso, e não só aprendi mais sobre a vida e o universo - ou sobre a cultura inútil, como preferirem - mas também consegui informações suficientes para uma postagem neste blog! Então celebrem meu interesse por coisas aleatórias, porque graças a ela, tem texto aqui hoje, no dia último do ano! AEEEEW!!

AGRADEÇAM AO BACALHAU
Graças a ele, todos nós falamos Português

Era uma vez o Reino de Portugal. Uma nação menor, caipira e cafona nos lados mais esquecidos da borda ocidental do continente europeu. Enquanto o resto da Europa se divertia entrando em guerras por mais terras para plantar trigo, os tugas viram que não era uma boa ideia participar dessa brincadeira. Primeiro porque eles não eram nada bons em brigar por terras. Segundo porque do outro lado, tinham os reinos espanhois, que eram mais ou menos aliados entre si e também eram cristãos, então pegava mal matar filhos de Deus. Terceiro porque os portugueses nunca foram muito fã de pão, mesmo, então nem valeria a pena.
Já que não rolava plantar, eles se lembraram que estavam de frente para o maior mar que os povos europeus conheciam, esse tal de Oceano. E passaram a navegar nos oceanos, para comerciar com outros povos que também estavam à toa. Entre uma navegação e outra, eles começaram a praticar a pesca. E ficaram realmente craques nisso. Os portugueses viraram exímios pescadores, além de grandes comerciantes e craques em desbravamento.

Mas os tugas tinham problemas internos. Acontece que comer era um treco caro em Portugal no século 13 e 14, porque era difícil ter carne pra todo mundo e, como eu já frisei, pão não era a praia lusitana. A Igreja Católica, que na época se encarregava de controlar a vida dos seus fiéis, proibia que os portugueses comessem carne vermelha em dias comuns. Isso, naturalmente, porque o preço dela era extremamente proibitivo. Então os lusos tinham de se virar para comer outras coisas - peixe, por exemplo. Eram mais fáceis de achar, eram mais saudáveis e tudo isso. Não foi à toa que os lusos ficaram tão fissurados em navegar: era onde a comida estava, ó pá!
Bom, nestes mesmos séculos 13 e 14, os tugas passaram a desbravar as águas. Nadaram para o sul e para o norte e para tudo quanto era lugar em que tinha água suficiente pra se enfiar uma caravela. E um dia chegaram na costa do Canadá. O atual país do norte da América do Norte era há muito conhecido pelos víquingues, mas os portugueses chegaram lá e descobriram um tipo muito bacana de peixe: esse tal de bacalhau. Um peixe que depois de pescado, vem extremamente salgado e que precisa de um tratamento de pelo menos um dia pra que ele fique comestível. Difícil, né?

Mas aí é que está a graça! Ele era salgado!! Os europeus que viajavam muito descobriram que o sal mantinha a comida fresca por mais tempo. E o bacalhau, vejam vocês, era salgado por natureza! De sorte que ele aguentava longas viagens e continuava fresco! E ele era gostoso, ainda por cima! E como ele era um peixe, os portugueses podiam comê-lo em dias regulares da semana sem serem punidos pela Igreja Católica!
Pouco a pouco, o bacalhau foi considerado um alimento extremamente desejado na culinária portuguesa, e os nossos patrícios passaram a ser os maiores consumidores de bacalhau do mundo (recorde que ainda mantêm). Também foi conectado a motivos religiosos - afinal, a Igreja estimulava o consumo de bacalhau para que outras carnes mais caras fossem poupadas. Então comia-se bacalhau na Páscoa, e no Corpus Christi, e em festas de santos devotos... E, claro, no Natal! Graças ao sal do tal do bacalhau, os portugueses aprenderam a comê-lo tanto que virou símbolo nacional. Credo, né?

E o que tem a ver o bacalhau com o título lá de cima? Bom, há um historiador português que defende que graças ao bacalhau, o Reino Cafona de Portugal passou a ser o Império Megafodão Português. Isso porque os portugueses passaram a dominar as técnicas mestras de navegação ao buscar peixes para pescar. E as técnicas usadas pelos tugas ao desbravar, conquistar e consumir o tal do bacalhau lhes garantiu tamanha capacidade técnica que foi possível, em 1500, achar a Bahia! E com a Bahia (e também a Angola e o Moçambique e a Índia), os portugueses passaram a ser um superimpério que comprava e vendia qualquer quinquilharia, que ensinava português a qualquer metido a sabichão por aí e que dominava a maior parte das novas terras mundiais. Tudo isso a partir de um paizeco que parece uma orelha!
Segundo o raciocínio criado, graças à pesca, os portugueses se interessaram pela navegação. Aí eles se interessaram pelo comércio, aí eles se interessaram pelas rotas comerciais, aí eles se interessaram pelas Índias! E sem querer caíram no Brasil!

Então lembrem-se, queridos lusófonos: quando estiverem comendo seus bacalhaus com vinho Madeira, lembrem-se de que graças a este peixe salgado e que nem é encontrando nas costas portuguesas, hoje todos nós falamos português, e não algum dialeto bizarro derivado do francês ou holandês. Ou, pior ainda, poderíamos estar falando espanhol e viver numa grande Confederação Argentina! Imagina, nascer no mesmo país do Maradona e do Kirchner? Ainda bem que temos o bacalhau. :)

Despeço-me então de 2009 com esse post mais ou menos, crianças! E meus votos de que em 2010 eu consiga postar mais vezes, né? Não dói nada tentar.
Feliz Ano Novo para vocês, crianças! Até o ano que vem!!

Ouvindo:
Lovers in Japan (Osaka Sun Remix)
Coldplay
Prospekt's March (2009)

2 comentários:

TeXucoO disse...

Feliz ano novo Rafael.
(:

Tali disse...

Felız ano novo Rafa...
e como eu dısse enquanto lıa seu texto:
Meeeu, voce vıaja demaıs, Cara!

beıjos