sábado, 7 de maio de 2011

Adeus, Infância

Saludos, meus queridos! Bonsoir! Como vocês vão?
Nem parece que faz tanto tempo que estive aqui, né? O lay-out do blog continua o mesmo, olha só! E os links também estão meio iguais... PQP, que cara preguiçoso!

Nem me fale em preguiça. Hoje em dia estou tão ruim que me peguei dormindo em pé no elevador, esses dias. Durmo no meio da aula, no ônibus, no sofá da sala... Só não dormi no meio da prova com medo de acordar e ter babado em cima dela. Entregar uma prova babada pro professor é um atestado de derrota, hein? :D

Sabe, essa vida de adulto é chata. Aposto que você não tinha a menor ideia de que seria tão chato assim ser um adulto, quando você ficava revoltado com os seus pais por eles não deixarem você ver TV até tarde. "Um dia eu serei adulto!", você bradava, "e vou poder fazer tudo o que quiser!". Bom, parabéns, hoje você pode ver TV até tarde! O duro é que você hoje pode fazer tanta coisa, que só sobra tempo pra ver TV tarde da noite, mesmo, pra dar uma olhada nas notícias do Jornal da Globo, e olhe lá. Afinal, você tem trabalho, tem faculdade, tem curso de idioma, tem academia, tem os amigos, tem os pais, tem a namorada ciumenta e o namorado grudento... Aposto e ganho que você não tinha pensado nisso tudo quando gritava que não via a hora de ser adulto, só pra ver Casseta e Planeta, né? Pois bem, meu querido, as más notícias é que Casseta e Planeta nem eram mais tão engraçados, e eles acabaram anyways. E dois: ser adulto é um grande desastre. Faz você pensar porque diabos abandonar a infância.
E aí eu pensei - é, às vezes eu penso; dói pra caramba, mas eu penso - que é duro sair da infância. Quer dizer, você está lá, de boa na lagoa, brincando com seus comandos em ação ou sua barbie, quando sua mãe te pega pelo braço e avisa você que é hora de crescer. Duro, né? Então.

Adeus, Infância

Uma das lembranças mais vivas que tenho da minha infância foi a primeira vez que visitei o Parque da Mônica. Aos não-paulistanos que acabam errando por este blog, o tal Parque era um espaço enorme (para meus padrões de criança da época) encravado no Shopping Eldorado, em que havia um monte de brinquedos legais, e escorregadores e plataformas e desenhos e tudo isso mais, em óbvia alusão à Turma da Mônica, criação do grande Maurício de Sousa. Acho que foi em algum dia do ano de 1995 (eu tinha uns 7 pra 8 anos), e acho que fui com a minha mamãe (é possível que eu também tenha ido com excursão escolar; minha memória já foi melhor).
Seja como for, eu me lembro muito bem do monte de cores que havia, e tantas coisas para se fazer, e fotos com funcionários fantasiados de Mônica e Cebolinha, e o lanche legal que a gente comia... Enfim, parques infantis eram eventos sensacionais, maravilhosos, estratoféricos. O equivalente de hoje em dia a receber um cartão de crédito ilimitado em um free-shop em Nova York, ou a baixar seriados em uma conexão banda larga de 1Tbps (1 terabit por segundo, ou um milhão de vezes a sua conexão pobre de um mega, seu pobre).
Por que lhes conto esse feliz episódio da minha infância? Oras, porque eu quero evocar as lembranças que vocês têm das suas felizes infâncias, poxa! As excursões super-legais a um sítio no meio do lugar nenhum, as viagens com a família pra praia, aquele Natal em que apareceu um Papai Noel de verdade!!... A sua infância, amado amigo e amiga amada, é populada de eventos maravilhosos em que ser feliz era extremamente barato e simples. Oras, se a sua mãe lhe desse um daqueles potinhos pra bolhas de sabão, você dava paz pra ela a tarde inteira! E um balde de pipocas e um filme na Sessão da Tarde era a coisa mais legal do mundo!

É nessa hora em que você se pega pensando, com o olhar desfocado no seu monito, nas coisas legais de outrora. E aí você se pergunta o quê, afinal, aconteceu com você. Por que não o deixaram em paz, brincando com seus brinquedos e vendo seus filmes? Y U no leave me alone??
A culpa sempre caem, primeiro, nos pais, claro. Esses velhacos infelizes viviam me enfiando em escolas cada vez mais longes e mais difíceis, até que eu nem os via mais, e nem tinha tempo de apreciar direito os desenhos legais da TV Cultura. Traidores mequetrefes, meus próprios pais, que sentiam inveja de mim e mataram a minha felicidade! Oh, por que eles não me deixaram ser uma criança feliz eternamente?!
Olha, amigo, digo-lhe que seus pais bem que tentaram, e com muito afinco. Eles convenceram seu tio a se vestir de Papai Noel (isso quando não era o seu pai mesmo vestido) só pra que você acreditasse por anos a fio que o danado do velhinho existia mesmo, e ele viajava the whole fuckin' world!, dando presentes por aí. Eles compraram vídeo-games com jogos infantis pra você achar que o mundo seria sempre colorido e bonitinho. E tem o meu preferido, que era quando você obrigava a sua mãe a assistir 5 vezes o mesmo filme da Disney, até que você decorasse fala por fala a porcaria do filme inteiro. A sua mãe é um anjo de luz, né? Vá lá, e dê um beijo nela agora. Ela merece. :)

Assim como seus pais batalharam arduamente para que você aproveitasse sua infância, também foram eles que o introduziram, também, ao doloroso mundo do envelhecimento. Assim como eu me lembro vividamente daquele episódio no Parque da Mônica, também me lembro da vez em que fomos a uma lanchonete genérica do McDonalds em que havia daqueles brinquedos com túneis e escorregadores de plástico. Lembro-me de subir no brinquedo, de não conseguir correr nele direito, porque ele era meio estreito, sabe? E depois de ter muita dificuldade em descer pelo escorregador, lembro-me finalmente da voz de anjo de mamãe: "Filho, você não acha que cresceu demais pra esse tipo de brinquedo?". ;_;

Todo pai e mãe, em uma hora, precisa lembrá-lo que é hora de dar adeus a infância, de que a hora do recreio acabou. O ritual de deixar a infância é duro e árduo, caros leitores deste moribundo blogue. Alguns de vocês se lembrarão também do baque quando descobriram que Acapulco era no México, e que o México era muito longe. "Como assim, outro país?". Ou quando sua mãe lembrou você de que não podia mais passar por baixo da catraca do ônibus. Ou do primeiro Natal em que o Papai Noel não existiu pra você. Não é mole, amigos. Não é mole...
Mas, then again, a vida não é mole. Como eu comentei em outro post, melhor mesmo era quando estávamos dentro do útero de nossas mamães, quando era quentinho, e comíamos e defecávamos sem o menor esforço. Infelizmente, entretanto, crescemos devagar e sempre, rumo à nossa morte certa. E enquanto a morte não chega, contas a pagar, notas pra tirar, filhos pra criar, gorduras pra queimar.
E você reclamando da sua lição de casa, né? De como seus pais eram injustos por impedir você de ver TV até tarde, né? Se vocês querem saber, se me perguntassem agora, eu abandonaria numa boa a TV até tarde e os doces fora de hora. E trocaria meu trabalho e minha faculdade pelas minhas aulas de matemática da quinta série, pelas minhas aulas de literatura... Até aula de biologia, vai. Tudo pelo prazer de chegar em casa à tarde, tirar meu uniforme e dormir, a tarde toda, jogado no sofá. Ai ai...

Se bem que, justiça seja feita, nem é tão ruim assim ser adulto. Você pode trabalhar, juntar dinheiro e comprar o que bem entender!! Depois que você recebe seu árduo dinheirinho, entre pagar essa e aquela conta de telefone, comprar roupas novas e ir numa balada, você pode finalmente comprar aquele brinquedo que você sempre quis, aquela boneca que você sempre sonhou. Ou o vídeo-game que seus pais nunca deixaram você ter. Então me deem licença, porque eu sou adulto, mas ainda adoro brincar de carrinho. E é isso mesmo que eu vou fazer. :P

Ouvindo:
On a Cloud
PPP
Abundance (2009)

2 comentários:

Barbara (FEA) disse...

Rafa, como diria um amigo meu : "quem disse que seria fácil??". E eu, digo mais: "crescer dói"!! E como!!

E cá entre nós, ser adulto pode ser uma bela pentelhação mesmo!! hahaha

Mas, eu ainda não acho que a gente não é adulto... só depois dos 30... ;) Então vai lá brincar com seus carrinhos enquanto eu vejo as minhas Barbies aqui ;)

bjs
Barbara

Nadir disse...

Sua fã, da infancia, rs

Percorrer os caminhos do crescimento, requer muito mais maturidade do que compromisso.

Somos os mesmos, só que crescidos, o que nos mantém perto da nossa infancia é a alegria de saber brincar com brinquedos de gente grande. Os carrinhos de ontem, hoje tem IPVA, as barbies de ontem, hoje precisa de Visa/Credicard. Parabéns, agora já sabe quanto custa ser grande. Bj

Nadir